Scania L75, o 'Rei da Estrada'
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sábado, 10 de setembro de 2011
Vinícius Fonseca <br> Reportagem Local 
Maringá - Histórias pessoais e fatos marcantes. Geralmente são estes aspectos que colecionadores levam em conta na hora de comprar um automóvel antigo. No caso do empresário de Maringá (Noroeste), Laurindo Cordiolli, um caminhão é capaz de preencher os dois quesitos.
O Scania L75, ano 1959, foi o primeiro modelo da marca produzido no Brasil pela empresa sueca, que havia começado a se instalar no País aproveitando os incentivos para a indústria no governo de Juscelino Kubitschek. Com dez marchas, sendo cinco reduzidas, o caminhão não tardou para ficar conhecido naquela época como o ''Rei da Estrada'', por sua força e potência.
Hoje, aos 73 anos e dono de uma transportadora de grãos, Cordiolli revela que no auge do caminhão em pistas brasileiras, ele chegou a pilotar um exemplar fazendo viagens por quase todo o País. ''O que eu pilotava era igual a este, exceto pela cor, que era laranja. Por isso, assim que tive oportunidade, comprei o meu'', diz mostrando seu L75, ano 59, azul, com peças originais, que comprou há aproximadamente uma década.
Cordiolli afirma que o veículo é totalmente de se ''trazer no braço'', direção dura e nada automatizado, algo irreal para os dias atuais, onde os caminhões estão cada vez mais modernos e eletrônicos. ''Se olharmos para o que se tem hoje, não há conforto nele, mas este caminhão marcou sua época, era sem dúvida o melhor'', garante. Com base nesta afirmação, o empresário defende o fato de manter a originalidade do seu veículo. ''Mexer para que? Se eu precisasse de algo mais moderno, comprava um caminhão novo'', pondera.
Cordiolli não esconde que foi com o Scania que aumentou seus lucros, devido ao crescimento do número de viagens e da quantidade de carga transportada. Isto tornou possível o sonho de em 1977 abrir seu próprio negócio e também se tornar um colecionador de carros antigos. ''Conforme ia sobrando um dinheiro, eu comprava um carro que tive no passado ou que me marcou de alguma forma. Foi assim com o Scania também. Mas por ele tenho um carinho especial, justamente por ter tornado todos esses sonhos possíveis'', explica.
A coleção de Cordiolli é composta por aproximadamente 20 veículos, entre eles, um caminhão Ford 1946, um Mercedes 1957, um Aero Willys 68, um Gordini 67, um Jeep Willys 61 e uma Brasília 77. E como todo bom apaixonado por antigomobilismo, ele se diz grato quando alguém, ao ver um de seus veículos, conta uma história. ''Não há nada melhor do que ver uma pessoa se emocionar com o caminhão. Já me pararam várias vezes na rua para dizer que aprenderam a dirigir em um Scania assim, por exemplo'', conta.
Cada vez mais apaixonado por raridades com rodas, Cordiolli revela que não tem a intenção de se desfazer do Scania e que espera ver sua coleção aumentar ao longo dos anos. ''Se aparecer um negócio e eu tiver condições, quem sabe não compro mais alguns?'', planeja.


