Scania fecha ano com prejuízo e prevê estabilidade
PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de dezembro de 1998
Agência Estado 
A Scania vai fechar o ano com prejuízo, o primeiro desde 1984, segundo informações dadas pelo presidente da montadora, Jorma Halonen, durante a divulgação do balanço anual da empresa. Halonen não revelou os números. A empresa, com fábrica em São Bernardo do Campo, demitiu na semana passada 200 trabalhadores (60 deles por meio de um programa de voluntariado) e prevê mais 200 cortes em 99. Para evitar essas demissões, a Scania deve propor a redução de jornada e dos salários. Segundo Halonen, a empresa está negociando com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC alternativas para a mão-de-obra ociosa, como a ampliação do banco de horas. Mas poderá propor o mesmo sistema adotado pela filial da Argentina, onde a semana de trabalho foi reduzida para quatro dias e os salários estão 10% menores.
O diretor da Sacania, Flávio Nermejo, informou que, dependendo da reação do mercado em 99, a empresa poderá postergar o investimento de US$ 25 milhões a US$ 30 milhões mantido anualmente.
As vendas de caminhões e ônibus da Scania neste ano devem ser em média 18% inferiores às do ano passado, que somaram 8,5 mil unidades. Para 1999, Halonen prevê que os negócios continuarão cerca de 10% inferiores aos deste ano. Ele aposta, entretanto, em uma leve recuperação do mercado prevista para o segundo semestre. Segundo o dirigente, o mercado de veículos pesados na América Latina deve alcançar entre 30 e 45 mil unidades até meados da próxima década.
Os resultados financeiros da empresa, segundo ele, deverão fechar no equilíbrio. Teremos resultado zero, uma estabilidade no próximo ano, disse.
A Scania está adotando várias medidas de redução de custos. Uma delas atingiu diretamente os executivos. Segundo Nermejo, os veículos cedidos pela fábrica aos diretores passarão a ser substituídos a cada três anos e não mais a cada dois anos.


