Salão do Automóvel tenta recuperar otimismo da indústria americana
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domingo, 17 de janeiro de 2010
Marianna Aragão<br> Agência Estado 
Detroit - O Salão Internacional do Automóvel de Detroit (EUA), um dos mais importantes eventos do setor automobilístico, abriu as portas tentando demonstrar força após um dos piores anos da história da indústria mundial. Em janeiro de 2009, auge da crise financeira global, com duas de suas grandes montadoras (GM e Chrysler) lutando para sobreviver após receberem socorro financeiro do governo norte-americano, a cidade símbolo do automóvel sediou um evento sombrio. Neste ano, com sinais de recuperação do mercado, ainda que tímidos, o otimismo era mais visível no salão.
''Após o choque do ano passado, a tendência é de que o mercado dos Estados Unidos mostre recuperação gradual. Com isso, as empresas vão buscar recuperar o terreno perdido'', avalia o consultor André Beer, da André Beer Consult & Associados. Com a crise do ano passado, as vendas de veículos nos EUA caíram 21% ante 2008, o menor nível desde 1982.
Os resultados de dezembro, no entanto, sinalizaram que o pior pode ter passado. No último mês do ano passado, as vendas de veículos leves cresceram 15% ante dezembro do ano anterior. ''2010 deve ser um ano melhor para todas as montadoras'', estima Beer. O mercado projeta vendas de 11,9 milhões de unidades este ano.
Para o vice-presidente da consultoria Kaiser Associates, David Wong, o evento deste ano será crucial para as montadoras. ''Os lançamentos ou modelos conceito apresentados vão validar ou não as expectativas de melhora na situação econômica das empresas'', afirma. Segundo ele, no caso da GM a participação no salão demonstrará os ânimos da companhia após o turbulento 2009. ''Essa é a hora de mostrar força.''
Os esforços dos participantes do Salão de Detroit para tentar levantar o ânimo da indústria automobilística americana ocorrem ao mesmo tempo em que o mercado local sofre uma dura mudança de status. Com vendas de 13,5 milhões de veículos em 2009, a China ultrapassou os EUA e é hoje o maior mercado de automóveis do mundo. É a primeira vez na história que outro país supera os EUA como maior consumidor de veículos.
Em tamanho, o salão mantém os padrões da última edição. Estão sendo lançados 40 novos modelos, sendo 30 lançamentos internacionais - os demais são novidades apenas no mercado norte-americano. No ano passado, foram 50 estreias de veículos, 30 globais.
Mais de 60 marcas exibem suas novidades no Cobo Center, espaço que abriga o evento na região central de Detroit, para um público estimado de 700 mil pessoas. Sete fabricantes participam pela primeira vez do Salão - a maior parte dos estreantes são desenvolvedoras de veículos com tecnologia elétrica. Os carros movidos a eletricidade receberam, pela primeira vez, um espaço exclusivo em Detroit. O espaço, batizado de Electric Avenue, exibe veículos elétricos das tradicionais fabricantes e também soluções desenvolvidas por novos empreendedores (leia mais sobre o assunto na contracapa).
As versões elétrica ou híbrida de determinados modelos compõem alguns dos lançamentos mais aguardados do salão, como o 500 da Fiat (que participa pela primeira vez do salão norte-americano, após fusão com a Chrysler), o Leaf, da Nissan e o CR-Z da Honda, o primeiro esportivo híbrido do mundo.
Para David Wong, da Kaiser Associates, o Salão deste ano pode consolidar a tendência de produção dos carros elétricos que, nas edições anteriores, tiveram mais espaço em protótipos.
A Ford apresentou novas versões de seus modelos Focus e Fiesta. A empresa, única grande montadora dos EUA que não recorreu a empréstimos governamentais, encerrou dezembro com crescimento de 33% nas vendas ante o mesmo mês de 2008. Também conseguiu elevar um ponto porcentual em participação no mercado norte-americano.
A GM também mostrou novidades nos modelos de série e anunciou a produção de alguns carros-conceito como o Camaro conversível, apresentando no salão de 2008, e o Granite.
Nas próximas edições da Folha Carro & Cia serão apresentados detalhes de vários veículos lançados no Salão de Detroit 2010.
*A repórter viajou a convite da Anfavea


