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domingo, 09 de dezembro de 2012
Marcos Martins <br> Especial para a FOLHA 
Curitiba - A 15 edição do Salão do Automóvel de Curitiba, que termina hoje, é um palco de extremos. No mesmo pavilhão é possível encontrar automóveis que vemos diariamente no trânsito das grandes cidades, como também verdadeiras joias de preços milionários, tratadas com status de obras de arte. Há quem visite só para olhar os veículos de milhões de reais e até clientes de alto poder aquisitivo, interessados em fechar negócio e levar para a garagem modelos exclusivos.
A edição 2012 buscou uma nova imagem para o evento, focado agora em lançamentos e carros conceito. ''Ele é o único evento da categoria no País, fora o salão de São Paulo. Então a ideia é desvincular a visão de aqui ser um feirão de vendas. É claro que muitos negócios são fechados, mas a intenção é trazer para Curitiba os lançamentos das marcas e mostrar as tendências dos meses seguintes'', explica o organizador Joe Araújo, que assina o evento em parceria com a Associação das Concessionárias Autorizadas de Veículos Importados do Paraná (Acavipar).
Grande sensação do evento, o Audi R8 GT Spyder lembra as famosas obras de arte dos museus internacionais. E deixa os visitantes boquiabertos. Com status de celebridade, o modelo é, de longe, o mais fotografado. Todos querem um registro ao lado do único exemplar à venda no País - apenas dois foram trazidos para o Brasil, entre as 333 unidades fabricadas e distribuídas no mundo. Com um motor de 560 cavalos, a velocidade passa de 0 a 100 km/h em apenas 3,9 segundos. A carroceria em alumínio deixa o carro mais leve e, consequentemente mais veloz, podendo alcançar incríveis 317 km/h. ''É um carro único'', define o vendedor Juliano Gandara, da Audi. O preço? R$ 1,2 milhão, o mais caro no salão. E já tem cliente de olho. ''Existem alguns interessados, sim, mas ainda não fechamos negócio'', revela Gandara.
Bastante interessados, mas sem planos de comprar um modelo como esse, os amigos e empresários Roberto Lesniwski e Elessandro Pilatti, que veio com a noiva, a estudante Cristiane Debastiani, contentaram-se com as fotos do carrão. Lesniwski destaca a velocidade do modelo, enquanto Pilatti prefere o visual. ''O design é fantástico, com certeza eu daria umas voltinhas nele'', admite Pilatti. A noiva se entusiasma. ''Pedi de Natal pra ele, mas parece que não tive sucesso'', diverte-se Cristiane.
No stand da Toyota, o Prius promete ser o carro do futuro, já que, além de gasolina, também é elétrico. ''Ele tem um sistema de freio regenerativo, ou seja, quando a pastilha de freio esquenta, esse calor é utilizado para gerar energia e recarregar a bateria'', esclarece o vendedor Douglas Carvalho. O motor 2.0 tem potência de 320 cavalos e, por contar com a funcionalidade elétrica, pode fazer 32,5 km com apenas um litro de gasolina. O casal de professores Jorge Vargas e Renata Vargas aprova a novidade. ''É um sistema que demorou a virar realidade e já deveria existir há mais tempo no Brasil'', opina o professor. ''Sem falar que é um modelo limpo, sustentável'', complementa Renata. O carro deve entrar no mercado com preços a partir de R$ 120 mil.
Além das marcas citadas, estão presentes no salão curitibano Chrysler, Chevrolet, Citröoen, Mercedes Benz, Volvo, Land Rover, Peugeot, Mitsubishi, Volkswagen, Mini, BMW, Kia, Fiat, Ford, JAC, Hyundai e Honda. A expectativa é receber mais de 40 mil visitantes e movimentar um volume de negócios de mais de R$ 50 milhões. Para isso, a presença do Banco Alfa dentro do evento é estratégica.
Tal facilidade foi determinante para o empresário Airton de Pádua realizar o sonho de comprar uma BMW. O escolhido era o imponente 328i, pela ''bagatela'' de R$ 175 mil. ''A ideia do salão é ótima, pois eu não sei se iria até a concessionária. A gente às vezes não tem tempo devido à correria do dia a dia e vai adiando. Aí encontrar o modelo aqui, com tudo na mão, facilita. Estou quase fechando o negócio'', revela.
Mas há quem só quer saber de festa. A dona de casa Luciane Pinheiro resolveu fazer um programa diferente com as filhas Isabela, de 9 anos, Lohana, 3, o afilhado Luan, 8. O garoto mal tinha palavras para descrever os possantes que parecem pular do mundo lúdico das brincadeiras com miniaturas, direto para o mundo real. ''É muito legal'', resume. Já os estudantes Caio Gonçalves e Eduardo Ferreira não souberam explicar bem se vieram para ver os carros ou as belas mulheres, presenças marcantes nos estandes. ''A gente aproveita para ver os dois, né'', brincaram.


