Não era para ser assim, mas não há como saborear o Salão de Frankfurt sem fazer uma comparação direta com o Brasil. Em sua 61º edição, a maior mostra européia de automóveis, impressionou pelo número de novidades, não só em termos de produtos, como em tecnologia. Também serviu para mostrar o quanto o Brasil perdeu em avanço tecnológico nos últimos anos.
Com raras exceções, poucos carros lançados na feira alemã devem ser importados ou produzidos no País. O motivo? Custos altos e pouco retorno financeiro das montadoras. A solução? Manter as mesmas plataformas atuais, dando pequenos retoques visuais na carroceria. Quem perde com isso? Todos nós, que seguimos andando em automóveis estruturalmente e mecanicamente defasados.
Prova disso está nas gerações atuais do Golf, do Audi A3, do novo Clio, do Classe A, do Astra e Vectra europeus. O Golf, que já está em sua 5 geração, não deve vir para o Brasil. O modelo atual continuará em fabricação no Paraná e deve receber, no começo do próximo ano, uma remodelação visual.
Já o Audi A3, segundo o presidente da Audi Brasil, Daniel Buteler, terá duas versões à venda em nosso País. A partir de julho de 2006, o modelo produzido em São José dos Pinhais conviverá, por mais seis meses, ao lado da versão Sportback, a ser importada da Alemanha. Depois sai de cena definitivamente.
O novo Clio, que em Frankfurt, chegou à sua terceira geração deve permanecer por um bom tempo como está. A montadora francesa tem outras prioridades no País, como o novo Mégane (este sim, será igual ao europeu) e o Logan, futuro carro de entrada da marca a ser produzido em solo nacional em 2007.
O Astra e Vectra europeus são diferentes das versões brasileiras há tempos. O novo Vectra brasileiro, a ser apresentado no próximo mês, traz visual semelhante ao Astra alemão, porém com recursos tecnológicos reduzidos inferiores ao Vectra europeu.
Longe dessa discussão, está o segmento de carros de luxo, que escapa da regra acima. Modelos como o novíssimo Audi Q7, A4 conversível, Volkswagen EOS, Mercedes-Benz Classe S, Classe R e Classe A, Peugeot 407 Coupé, BMW Série 3 Touring e o novo Jaguar XK, em breve, poderão estar entre nós.
No Salão de Frankfurt deste ano, os alemães mostram que pretendem ser os melhores do mundo neste segmento, o de chamado de carros 'premium'. Dados da VDA, associação dos fabricantes alemães, indicam que 50% dos veículos produzidos na Alemanha hoje são destinados a consumidores de alto poder aquisitivo.
No segmento de carros compactos, a tendência é a redução da fabricação. A razão se deve, sobretudo, aos custos de produção elevados e que perdem competitividade com as unidades das próprias marcas instaladas no Leste Europeu, América Latina (o Fox brasileiro é líder de mercado na Europa) e Ásia.
Nas próximas páginas, confira os carros e os destaques tecnológicos do 61º Salão de Frankfurt, que ficará aberto ao público até o dia 25 na Alemanha.
* O jornalista viajou à convite da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea)

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