SALÃO DE DETROIT ULTRALUXUOSOS EM ALTA
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domingo, 19 de janeiro de 2003
Christophe Vogt<br> France Presse 
Detroit Diante das dificuldades no mercado de massa, os grandes fabricantes de automóveis agora apostam numa elite capaz de desembolsar US$ 200 mil ou mais por um automóvel. BMW, DaimlerChrysler e Volkswagen já deram o primeiro passo e estão apresentando seus modelos de sonho Maybach, Rolls Royce, Bentley e Lamborghini no salão do automóvel de Detroit (norte), inaugurado domingo e que será encerrado nesta segunda-feira, dia 20.
A General Motors está prestes a seguir a nova tendência com a marca de luxo Cadillac. Estes fabricantes estão convictos de que, apesar das gigantescas perdas dos seus potenciais clientes na bolsa de valores e dos riscos de uma guerra no Oriente Médio, o mercado de ultraluxo continuará sendo um bom negócio.
Helmut Panke, presidente do conselho do grupo alemão BMW, apresentou em Detroit o seu Rolls Royce Phantom, de US$ 333 mil, apostando no longo prazo. Para ele, ''em tempos incertos, as classes altas estão mais protegidas do que os demais'' a curto prazo.
''Nesta profissão, é preciso ser otimista. Se não houver guerra e os preços do petróleo não chegarem a US$ 40 por barril, então tudo estará bem'', prevê Giuseppe Greco, presidente da Lamborghini, cujos veículos 'sport' chegam a 250 Km/h e custam US$ 274 mil a unidade. As vendas de seus puro-sangues subiram 45% em 2002, para 430 exemplares e o Lamborghini voltou a ser rentável depois de anos de prejuízos.
Jeff Schuster, um analista da JD Powers, acredita que este mercado muito reservado a cada ano se vendem de 8 mil a 10 mil destes veículos está ''mais ou menos isolado das turbulências econômicas'', ainda que uma guerra no Oriente Médio possa levar os clientes a optarem por menos luxo.
Para provar seu otimismo, a Lamborghini apresentou em Detroit seu novo protótipo. O bólido amarelo vivo, de linhas arrojadas, é conversível e oferece todas as sensações de um carro de corrida.
Greco dá a entender que há grandes possibilidades de que este protótipo sirva de modelo para uma produção em série exatamente igual ao original. Para prevenir-se, a Lamborghini, que pertence ao grupo Volkswagen, também lançará em maio a produção da Gaillardo. Esta versão menor da ''Murciélago'' será vendida por cerca de US$ 155 mil, aproximadamente US$ 120 mil menos do que sua irmã mais velha.
Desta forma, a marca pretende mais do que dobrar suas vendas neste ano, atingindo 1.000 exemplares. Os que preferem os carros com motorista ainda terão de aguardar um pouco pelas novidades.
Segundo a revista The Economist, o mercado destes veículos poderia impulsionar as vendas para cerca de 20 mil exemplares ao ano, número que parece muito elevado para o patrão da BMW, que estima as vendas em entre cinco mil ou seis mil carros por ano.
A Maybach, marca mítica ressuscitada pela DaimlerChrysler, é exibida no salão de Detroit por um preço que varia entre US$ 375 mil e US$ 465 mil. O Phantom, da BMW, combina luxo e inovação tecnológica. Por cerca de US$ 325 mil a unidade, Panke pensa em vender mil exemplares deste modelo por ano.
O Cadillac, da GM, está em sua versão Cadillac 16. Equipado com um motor V-1 de mil cavalos, é vendido por US$ 250 mil no salão. Não é uma mera casualidade o fato de Detroit dar as boas-vindas a esses carros de sonho. O mercado americano representa um terço das vendas de Lamborghini e a Rolls-Royce espera vender 40% de sua produção nos Estados Unidos.


