O que proporciona aos carros de última geração apresentarem desempenhos surpreendentes em estradas e cidades é o avanço tecnológico agregado à parte mecânica. Melhorar certos detalhes como potência de arrancada (torque) e reduzir os efeitos nocivos ao meio ambiente são as propostas primordiais do câmbio S-Tronic (Double Shift Gear), presente nos modelos mais robustos da Audi como A3, S3, TT, TTS e Q5.
Segundo Luciano Gomes, representante técnico da Audi-Brasil, o princípio de construção do câmbio S-Tronic é o mesmo do sistema da troca de marchas mecânica. Isso traz vantagens quando o assunto é perdas de rendimento, diferente dos câmbios automáticos que trabalham por sistema hidraúlicos e possuem déficits maiores. ''Essa é a vantagem. Aproveitar o lado positivo do câmbio mecânico e aumentar o rendimento do veículo'', explica.
Na prática, o câmbio S-Tronic funciona com dois sistemas de embreagens trabalhando sobre um único eixo. Segundo Gomes, na primeira parte do eixo ficam as marchas ímpares e na segunda as pares. ''Este é o 'pulo do gato' dessa tecnologia'', aponta. Conforme explica, como são duas embreagens trabalhando ao mesmo tempo, enquanto uma está acionada a outra fica ociosa. ''É como se as marchas estivessem engatadas e você só acionasse as trocas de embreagens'', ilustra.
Como a tecnologia utiliza um sistema puramente mecânico, as perdas por deslizes ou patinação não existem. Isso proporciona também uma troca de marchas mais rápida. Gomes exemplifica que no Audi S3 a troca de marchas é de 25 décimos de segundo. ''É o único carro automático com troca de marchas mais veloz que um câmbio mecânico'', compara.
Todo esse sistema de troca de marchas gera além de menor índice de poluição no ambiente, potência para manobras mais arriscadas como ultrapassagens em rodovias. Chamada de torque, essa força faz o carro chegar a altas velocidades em poucos segundos. ''É o que faz o carro alcançar de 0 a 100 km/h em menos de cinco segundos. Esse câmbio S-Tronic trabalha puramente em cima disto'', explica.
Segundo Gomes, esta tecnologia não está presente em todos os modelos da montadora porque é necessário que os carros tenham peso máximo de 1,5 tonelada. ''São para carros mais robustos, onde você consegue colocar um sistema mais sensível e ao mesmo tempo funcionar. Dentro de cinco anos, o projeto da Audi é ter um R8 com dupla embreagem. Daí você consegue um sistema extremamente potente'', afirma.

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