Trocar o óleo do motor pode parecer uma tarefa simples e sem maiores preocupações. Mas basta o motorista chegar a uma loja automotiva para se deparar com um infinidade de produtos, códigos e tipos de óleo diferentes, que a simplicidade da operação se transforma em uma tremenda dúvida.
Para não ficar refém de vendedores e de frentistas de postos e colocar a vida útil de seu veículo em risco, o primeiro passo é entender um pouco mais sobre este item, tão fundamental para o motor quanto a gasolina. ''Uma troca errada de óleo pode comprometer por completo o motor, podendo até levá-lo ao seu fim'', explica Fábio Silva Sardi, consultor da Motorlub, em Londrina.
O óleo, além de servir como lubrificante, também ajuda a limpar o motor, recolhendo as partículas deixadas no processo de combustão, e a refrigerá-lo por meio da transferência de calor. Além disso, evita a corrosão das peças envolvidas e veda a entrada de resíduos que possam contaminá-las.
Para saber a hora certa de trocar o óleo é preciso, não há truques: consulte sempre o manual do proprietário. É lá que estão todas as informações necessárias para a substituição do óleo, no tempo certo e com o tipo correto. ''Para cada modelo, há um tipo de lubrificante recomendado. Não adianta colocar qualquer um e achar que todos são iguais'', avisa Sardi.
A verificação do nível do óleo também requer alguns cuidados. Segundo o consultor, o ideal é fazer a vistoria com o motor quente. ''O certo é desligar o motor e aguardar por cinco minutos antes de fazer a leitura da vareta'', diz. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, o nível correto se encontra entre os dois traços e não só no traço superior. ''Jamais o carro deve rodar com o nível abaixo do mínimo'', alerta Sardi.
Geralmente, a troca do óleo deve ser realizada a cada 5 mil km ou a cada seis meses. ''A quilometragem correta para a substituição está no manual, mas pode ser menor se o uso do automóvel for severo'', afirma o consultor que ainda enaltece que o uso ''severo'' é aquele onde o carro circula em sua maior parte no anda-e-pára do trânsito urbano.
Na hora de escolher qual o melhor produto, a regra é a mesma: use o tipo indicado pela montadora. No mercado há dois tipos de óleo - os monoviscosos e multiviscosos. Prefira sempre os multiviscosos, que atendem as necessidades do carro com o motor frio e quente ao mesmo tempo. Nesta linha, existem os óleos mutiviscosos minerais (mais comuns, derivados diretamente do petróleo), semi-sintéticos e sintéticos. Os primeiros são os mais baratos e os outros dois são mais caros, pois são compostos em laboratórios químicos. ''Os sintéticos são mais evoluídos e apresentam uma eficiência melhor. A vantagem é que as características originais dos sintéticos resistem mais ao tempo e às condições de uso'', diz o consultor da Mortorlub.
No rótulo da embalagem há vários códigos e letras (veja quadro explicativo), mas os mais importantes são aqueles números que indicam a classificação do produto. A Sociedade dos Engenheiros Automotivos (SAE), é quem classifica o grau de viscosidade dos lubrificantes. Quanto mais viscosos, menor é o número, e quanto menos viscosos, maior será o valor. O uso de um lubrificante mais fino que o indicado pela montadora, por exemplo, forma uma camada incapaz de evitar o atrito das peças. Já o mais grosso exige um gasto maior de energia. Ou seja, além de consumir mais combustível, acelera o desgaste dos componentes que ficaram sem película lubrificante naquele período. ''Cerca de 80% do desgaste do motor acontece durante a partida. Po isso, os segundos iniciais equivalem a milhares de quilômetros rodados'', explica Sardi.
Como exemplo, um óleo SAE 10W40 se comporta em baixas temperaturas como um produto SAE 10, facilitando a partida a frio, e em altas, se comporta como um produto SAE 40, garantindo uma película lubrificante suficientemente espessa para proteção dos componentes em ambas situações.

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