Revendedores fazem protesto
O grupo de concessionários Volkswagen do Rio Grande do Sul que protesta contra a política de relacionamento da montadora com a rede confirmou para amanhã a primeira reunião de mobilização em Porto Alegre.
Amanhã a direção mundial da Volkswagen estará inaugurando uma nova fábrica em São José dos Pinhais, no Paraná. Os organizadores deram o nome de Marcha dos concessionários VW insatisfeitos ao movimento que pretende reivindicar indenização justa para o distribuidor que tiver que deixar a representação e a recuperação da saúde financeira dos que querem permanecer na rede.
O movimento tem comando no Rio Grande do Sul, a cargo do empresário Fábio Ricardo Cargnelutti, de Uruguaiana, que deixou de representar a marca e entrou na Justiça. Segundo ele, 40 revendedores já confirmaram presença na reunião que será realizada na Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.
Sufocados por uma política de comercialização ultrapassada, revendedores que já foram lesados e recorreram à Justiça conseguiram a adesão dos que querem discutir o assunto antes de terem de fechar as portas sem ressarcimento, destaca a nota distribuída à imprensa. O grupo pede ainda a criação de um sistema de vendas em consignação.
O presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), Hugo Maia, disse que até agora a entidade não apoiava o movimento porque ninguém pediu. Mas, em tese, estaremos com ele porque o concessionário pode até sair do negócio, mas não ser expulso, destacou.
Segundo os organizadores da marcha, a Volkswagen tem claro interesse em diminuir o tamanho da sua rede. A direção da empresa já negou, afirmando que o objetivo é justamente o contrário. Segundo o gerente de vendas da Volkswagen, José Santiago Soler, a idéia é aumentar o número de pontos de 674 para até 700.
Ele lembrou que o concessionário que comanda o movimento em Uruguaiana é concordatário. Mas, para os concessionários insatisfeitos, se não fosse intenção reduzir a rede, a montadora facilitaria a quitação dos débitos e não dificultaria as negociações de compra e venda das empresas que são concessionárias. Nem tampouco deixaria o concessionário que representa a marca enfraquecer-se financeiramente até o ponto de ter de desistir do negócio, destaca o movimento.
Cargnelutti lembra que a legislação da distribuição de veículos rege que o concessionário seja indenizado quando deixa a representação. Mas a política da montadora, voltada ao enfraquecimento do revendedor, o leva à inadimplência. A sua eliminação da rede evita que a empresa pague a indenização devida.
O movimento dos revendedores Volks lembra ainda que a descapitalização da rede também foi provocada pela falta de produtos. A Volkswagen foi a última a lançar o carro pequeno com quatro portas. Também tardou em colocar no mercado as novas versões de Saveiro e Parati, perdendo espaço para a concorrência, destaca a nota.Fotos: DivulgaçãoA fábrica da VW será inaugurada enquanto revendedores protestam em Porto AlegreAgência Estado





