Resolução dá brechas para motorista modificar carro
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de julho de 2001
Fernanda Ongaratto De Curitiba 
Segundo o artigo 98 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) nenhum proprietário ou responsável poderá, sem prévia autorização da autoridade competente, fazer ou ordenar que sejam feitas no veículo modificações de suas características de fábrica. No entanto, a Resolução nº 25 de 1998 do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) deixa o artigo 98 mais flexível.
A resolução enumera as mexidas que podem ser feitas no automóvel com a autorização da autoridade competente, no caso uma entidade credenciada pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualificação).
Montadoras e especialistas do setor desaprovam a resolução, dizendo que o ideal para a segurança do motorista e para a qualidade do automóvel é que o mesmo se mantenha original. Os carros são muito sensíveis. Nas fábricas eles são montados e testados para uma determinada situação. Quando a pessoa altera alguma coisa, ela está mexendo na parte funcional do carro, explica Thomas Buckup, gerente de marketing de produtos da Volkswagen.
Buckup diz também que mudanças nas características do carro podem significar por exemplo, aumento no consumo de combustível, maior desgaste de pneus e aliado a isso tudo, risco ao motorista. Se a pessoa coloca em um carro com aro 14 uma roda aro 15, a roda se torna mais pesada e pode até quebrar a suspensão, além de uma série de situações que podem acontecer, como perder a estabilidade.
O gerente de marketing de produtos da Volkswagen diz ainda que uma das partes mais sensíveis dos automóveis é a parte elétrica, e que qualquer adaptação errada pode resultar em um grande problema. A parte elétrica é como se fosse as veias do carro e se alguma coisa for mal feita, pode dar um curto circuito e nada mais funcionar, comenta.
Buckup acredita que o problema não é a modificação em si, mas como ela é feita, ou seja, se todas as peças que devem ser trocadas para suportar o novo equipamento são realmente trocadas. Em alguns casos não são feitas todas as adptações, as pessoas só pensam no benefício, relevando tudo o que é necessário fazer para chegar até ele.
Renato Romio, engenheiro do Laboratório de Motores do Instituto Mauá de Tecnologia, que fica em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, também concorda que os carros devem ser mantidos como saem de fábrica. O carro sai de fábrica preparado para uma utilização. Quando se altera alguma coisa, ele deixa de ser tão versátil como antes, e se torna limitado, comenta, exemplificando situações em que o motorista coloca a roda muito grande e ela começa a raspar na lataria do automóvel, seja com o carro carregado ou na hora de fazer uma curva.
Romio diz também que as modificações como turbo, cortar ou encolher a mola para o carro ficar mais baixo, aros maiores e com perfis mais baixos podem comprometer a segurança do motorista, porque o automóvel não foi projetado para aquela determinada situação e de repente, ele pode não aguentar a tanta pressão. Um bom exemplo é o turbo, não aquele que vem de fábrica, mas o que é instalado depois. Ele faz com que o carro possa atingir uma velocidade além da que ele suporta e com isso, quebrar alguma peça, pegar fogo e colocar em risco a vida de quem estiver no carro, argumenta.
O engenheiro também acredita que o grande problema está na maneira que as modificações são feitas. Não é tanto pela modificação, mas pela maneira que é feita a adaptação.


