Reparo sem técnica agrava problema
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sábado, 05 de maio de 2001
Ed Carlos Rocha De Curitiba 
Na tentativa de economizar uns trocos muitos motoristas tentam sozinhos ou com a ajuda de curiosos consertar problemas no veículo. Em alguns casos até dá certo, mas, segundo os profissionais de mecânica, se a pessoa não tiver noção exata do que está fazendo, o melhor mesmo é procurar uma oficina especializada, seja ela concessionária ou não. Essas empresas estão sempre recebendo carros que pessoas que tentaram o conserto sozinhas ou em oficinas de fundo de quintal e acabaram piorando a situação.
O problema se agrava na medida em que os carros vão ficando cada vez mais modernos, exigindo mais conhecimentos técnicos. Acontecem muitos casos de pessoas que chegam na concessionária com o veículo danificado porque tentaram consertar em casa ou com amigos achando que fosse fácil. Sem conhecimento, pioraram o problema. Dependendo do caso, pode haver prejuízo grande, conta Charles Nunes Pereira, consultor técnico da CCV, revenda Chevrolet em Curitiba.
Um dos campeões de problemas é a injeção eletrônica, comum hoje em todos os carros modernos. Qualquer que seja a falha é preciso reparo com a ajuda de equipamentos eletrônicos, que só as concessionárias ou as boas oficinas possuem. Há casos de pessoas que tentam mexer sozinhas e acabam queimando o módulo da injeção, que, dependendo do carro, pode custar R$ 2 mil, explica Pereira.
A injeção eletrônica também é citada por Claudenir Moreira, da Auto Elétrica Miyake, como foco de dano grave se a pessoa se meter a consertar sem os aparelhos adequados. Na limpeza, por exemplo, os bicos têm que ser tirados para serem limpos num banho químico em uma máquina específica. O que muita gente faz é simplesmente passar um pincel com gasolina nas pontas, o que não resolve nada.
Ele fala também do alternador. O que costuma acontecer sempre é erro na hora de trocar o regulador. A pessoa tem que lixar o coletor do rotor que é para não isolar o regulador de voltagem. Se ele for isolado, a bateria não carrega. Tem muita gente que simplesmente troca o regulador e a bateria acaba não carregando, comenta Moreira.
Um outro problema bastante comum, segundo os mecânicos, é a troca da bateria. Por ser algo aparentemente simples, muitos não prestam atenção na polaridade dos cabos e os invertem, o que pode simplesmente dar um curto circuito e queimar toda a parte elétrica do carro, sem contar prejuízos também na injeção. Tem que se colocar o cabo positivo do carro com o positivo da bateria e fazer a mesma coisa com o negativo. Tem gente desatenta que inverte isso. Para evitar problemas, o bom mesmo é levar numa oficina especializada, conta Elisandro Tomaz Pereira, consultor técnico da Metropolitana, revenda Ford em Curitiba.
Segundo Julio César de Faria, consultor técnico da Autovesa, concessionária Renault, em relação à bateria pode haver problemas também com a famosa chupeta, que é passar carga de uma bateria para outra. Pode acontecer de dar curto circuito ou tensão alta e queimar o módulo de injeção.
Para o mecânico Alex Pereira da Silva, da Alfacar, além da possibilidade de agravar os problemas, os reparos sem conhecimento podem também colocar em risco a vida do motorista, passageiros e pedestres. Ele cita o caso dos freios. Às vezes o pedal está baixo e o cara tenta regular sozinho. Mas o problema pode ser lona ou pastilha gastas, que precisam ser trocadas para manter o carro em segurança. E nesse mexe-mexe, a pessoa pode montar errado o freio e deixá-lo ineficiente, afirma.


