Reparo preciso
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sábado, 19 de outubro de 2013
Marcos Martins<br>Especial para a FOLHA 
Curitiba - Foi nas fábricas de automóveis, quatro décadas atrás, que uma técnica bastante comum nos dias de hoje surgiu para resolver um problema rotineiro nas montadoras: pequenos amassados nos veículos, sem danificação da pintura, e que "estragavam" os carros zero quilômetro. Batizada lá fora de Paintless Shrinking Sheet Metal Repair e no Brasil de DSP (desamassamento sem pintura), ela logo chegou às oficinas, ficando disponível para qualquer cliente. Ganhou o nome de "martelinho de ouro", popularizou-se e hoje é um dos serviços mais procurados por motoristas que querem consertar pequenos defeitos do veículo sem mexer na pintura original.
A manutenção da pintura de fábrica é, segundo o empresário Omar Gomes Filho, uma das principais vantagens do serviço, que ele oferece na Kinze Martelinho de Ouro, em Curitiba. Há seis anos no mercado, Gomes conheceu a técnica bem antes, nos anos 1990, quando um amigo sugeriu o serviço após uma chuva de granizo. "Não acreditava muito na ideia, mas resolvi levar meu carro lá. E o resultado acabou surpreendendo", recorda. Hoje ele oferece o serviço na própria oficina e explica que antes de começar um trabalho é preciso avaliar criteriosamente a extensão do dano e a dificuldade do reparo. "O preço mínimo é de R$ 90, mas o tempo de mão de obra, o que vai ser preciso desmontar pra se chegar até o local do reparo, se o acesso é difícil ou não, tudo isso pode encarecer o trabalho e alterar o tempo do serviço", avalia Gomes, que tem no martelinho de ouro uma procura de cerca de 10% do total de trabalhos realizados em toda a oficina. "Parece pouco, mas é preciso ter o serviço, já que sempre aparece alguém em busca", analisa.
O movimento é maior na oficina de João Cláudio Oliveira, também em Curitiba. Ele passou a oferecer o serviço em 2003 e calcula uma procura de 15 a 20 carros por mês. "Varia muito da época. Quando tem chuva de granizo, aí vira uma loucura. Todo mundo aparece e tenho até que recusar clientes ou atender após algumas semanas", revela. Outras situações comuns são amassados em portas ou laterais, causados pela abertura das portas de outros veículos em estacionamentos e garagens, capôs em que alguém sentou ou pisou e quedas de objetos no teto. "O resultado é excelente, uma vez que você não mexe na pintura de fábrica e, em muitas situações, o serviço fica pronto em um dia, o que atualmente, com todo mundo precisando do carro a todo instante, é uma vantagem e tanto para o proprietário", avalia.
Outra análise importante, segundo Oliveira, é se o profissional é realmente capacitado para executar o serviço. "Hoje temos várias oficinas oferecendo, há muitos cursos de treinamento, mas o profissional precisa ser qualificado, cuidadoso, saber qual a melhor ferramenta para cada tipo de amassado. Não é só desmontar e martelar, tem que ser técnica", recomenda Oliveira.


