Renovação da frota desanima os revendedores de automóveis
Carmem Murara
De Curitiba
As concessionárias de automóveis estão vendo com desconfiança a proposta de implantação do programa de renovação da frota, apresentado pelas montadoras ao governo federal. O presidente regional da Federação Nacional dos Revendedores de Automóveis (Fenabrave), Daniel Russi Filho, disse quinta-feira desacreditar que o programa saia do papel ainda este ano. A idéia está muito aquém da necessidade do mercado e se não for bem trabalhada pode não surtir efeito, afirmou Russi, demonstrando ceticismo. As montadoras querem que o programa comece em março.
A renovação da frota deverá ser um dos principais temas abordados na próxima quarta-feira, na reunião das concessionárias paranaenses. O encontro será feito no Hotel Londrina Residence, em Londrina, e contará com a presença do presidente nacional da Fenabrave, Hugo Maia. Ele quer avaliar como está a posição das concessionárias em todo o Estado e como elas estão sobrevivendo diante do mercado recessivo para o setor.
Na avaliação das montadoras e das revendedoras, tirar os carros velhos de circulação, por meio de incentivos aos usuários permitiria que elas reaquecessem o mercado automotivo que está parado desde 1998. No ano passado foram vendidos 1,2 milhão de carros, a mesma quantidade de 10 anos atrás. O resultado prático é o fechamento cada vez maior de concessionárias em todo o País. Somente no Paraná, foram fechadas 45 no ano passado, restando 408 empresas.
Por enquanto, as montadoras e concessionárias não acertaram os ponteiros na questão da renovação da frota. As montadoras fizeram quarta-feira uma nova proposta para o governo, que permite à Receita Federal receber o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), após determinado volume de vendas. A princípio o governo colaboraria com o programa ao abrir mão do imposto. Até a venda de 1,9 milhão de carros zero quilômetro haveria a renúncia do tributo, mas superando esta marca, as próprias montadoras bancariam o pagamento da quantia equivalente.
Daniel Russi Filho entende que o ponto mais polêmico na renovação da frota está no bônus que seria concedido aos consumidores interessados em trocar o carro velho pelo novo. A intenção é dar uma bonificação de R$ 1,8 mil, quantidade considerada insuficiente por setores da Fenabrave. Hoje, já estamos dando descontos de quase R$ 1,8 mil. Precisamos oferecer algo que chame atenção das pessoas e garanta um mecanismo de acesso, afirmou.
Outro ponto que deverá ser abordado na reunião da Fenabrave será a ação que as revendedoras movem contra as montadoras no Conselho de Defesa Econômica (Cade). As concessionárias acusam os fabricantes de abuso de poder econômico, ao impor preços acima da capacidade de compra da população. Outra questão é a de exigir que a revenda compre peças, exclusivamente, das montadoras e não das fornecedoras do setor automotivo.Representantes das revendas acreditam que o projeto não sai do papel neste ano
Fotos: Arquivo Folha
O presidente regional da Fenabrave, Daniel Mussi Filho, acredita que a idéia está aquém da necessidade
Representantes das montadoras e concessionárias precisam acertar os ponteiros na questão da renovação da frota





