A aliança entre as indústrias automobilísticas Renault francesa e a Nissan japonesa foi selada dia 24 de março, em Tóquio, quando o grupo francês assumiu 35% do capital do construtor nipônico, uma operação de 32 bilhões francos (5,4 bilhões de dólares). A Renault deverá também assumir 22% do capital da Nissan Diesel, sua filial de caminhões. O anúncio oficial dessa associação foi feita pelos dois presidentes, Louis Schweitzer e Yoshikazu Hanawa, durante uma entrevista coletiva. Essas duas empresas passam a ser o quarto construtor mundial de veículos com uma produção de 4,8 milhões de unidades por ano.
O acordo prevê a entrada do presidente da Nissan japonesa no Conselho de Administração da Renault, enquanto o número 2 da Renault mundial, o brasileiro Carlos Ghosn, será o vice-presidente operacional, responsável pela administração cotidiana do grupo japonês.
A harmonização da aliança entre esses dois grupos prevê também um melhor aproveitamento das plataformas de construção espalhadas pelo mundo. A Renault poderá adaptar sua fábrica em São José dos Pinhais, em Curitiba, para a fabricação de diversos modelos Nissan, principalmente os utilitários e veículos ‘‘off road ’’. Ao mesmo tempo, as fábricas da Nissan nos EUA, onde a Renault não está bem implantada, poderão ser utilizadas para a fabricação de modelos da indústria francesa.
Essa evolução, entretanto, não será imediata, e vai depender do início do processo de integração dos grupos, sendo um objetivo de médio prazo, segundo revelaram dirigentes da Renault em Paris. Mais de 40 colaboradores da Renault assumirão, muito rapidamente, posições chaves na empresa japonesa.
Essa operação leva em conta o forte endividamento da empresa japonesa, por volta de 15 bilhões de dólares. Os meios financeiros europeus não se entusiasmaram muito com essa operação, lembrando que a Renault já vinha enfrentando certas dificuldades para desenvolver a produção de sua indústria em Curitiba, em razão da crise brasileira, além da integração do grupo romeno Dacia, cuja privatização deverá ocorrer até o dia 15 de abril. Essa constitui uma das principais preocupações dos analistas financeiros em relação a essa espetacular aliança e que provocou há 15 dias a queda do valor da ações da Renault.
Em contrapartida, a comunidade financeira japonesa não esconde sua satisfação com essa aproximação. Para que se tenha uma idéia, o valor dos investimentos franceses no Japão atingem apenas 700 milhões de dólares, sendo que só essa operação será da ordem de 5 bilhões de dólares. Esse será o maior investimento efetuado por uma empresa estrangeira do setor no Japão, muito acima do representado pela aliança Ford-Madza.

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