As garagens de compra e venda de carros usados – ou seminovos – estão espalhadas por Londrina. São muitas. Mas tem uma que se destaca pelos produtos que oferece. Fica na Rua Gomes Carneiro esquina com a da Lapa, próximo ao Ginásio Moringão, na região central da cidade. O ponto comercial em questão não trabalha com carros comuns, mas com ‘‘senhores automóveis’’, alguns já beirando os 90 anos. É uma garagem de carros antigos. Alguns proprietários pagam mensalidade apenas para que a relíquia fique bem cuidada. Outros deixam as máquinas por ali à espera de um comprador.
  É isso mesmo, à espera de comprador. Esqueça aquela história que diz que ‘‘quem tem uma preciosidade dessas não vende’’.
Por um motivo ou outro, alguns colecionadores acabam pondo à venda essas joias raras que não são feitas de ouro ou diamante, mas de lata, graxa e engrenagens.
  O proprietário da garagem é Dorivaldo Marinho Santana, 43 anos, que passou a gostar de carro quando começou a trabalhar por ali, como funcionário do antigo proprietário, Alberto Ribeiro, o Beto. Quando o patrão faleceu, ele continuou tocando o negócio.
  A gama de produtos que Santana oferece é vasta. Tem desde um Fusca 1973 que ele acaba de vender por
R$ 3,8 mil; até um Chevrolet 1926, restaurado, 90% original, placa preta, que sai por R$ 70 mil. O elenco conta também com o sedan 1600 cc, de 1972, da Volkswagen, a TL; com uma Caravan, um Corcel, jipes e até com um exemplar de um Santa Matilde, um esportivo da fábrica brasileira de mesmo nome que rodou nas décadas de 1970 e 1980.
  ‘‘Aqui não tem tabela de preços. O valor sentimental também entra’’, comenta Santana. E não faltam compradores. Tem gente que vem de longe em busca de um carro antigo. ‘‘Teve um senhor do Rio de Janeiro que comprou três Fuscas em uma semana. O ‘boca a boca’ corre Brasil afora. Um vai falando para o outro que aqui vendemos esses carros. Há também o fato de estarmos próximos do Moringão, por onde passam pessoas do Brasil inteiro’’, destaca o proprietário.
  Para quem gosta de relíquias e tem o bolso
com um certo recheio, a garagem de Santana é uma tentação. Como não se encantar com um Saab 1966, fabricado pela mesmo Saab da sueca que agora tenta vender seus caças de guerra, os aviões supersônicos Grippen, ao Brasil? Valor do carro: R$ 35 mil. Para quem gosta de fuscas, tem um 1959, motor 1200 cc, fabricado na Alemanha,
com manual, chave
reserva e um certificado
de originalidade do
museu de Wolfsburg.
Sai por R$ 25 mil.
  ‘‘É um mercado interessante de trabalhar esse de carros antigos, pois ainda há pouca concorrência. Gosto muito do que faço. Porém, é trabalhoso.
Quando vem criança aqui tenho que ficar vigilante. Qualquer risco ou peça danificada é prejuízo considerável’’,
finaliza Santana.

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