Regime comum fica pronto no final do ano
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de julho de 1998
Agência Estado 
A estrutura definitiva do regime comum automotivo do Mercosul deverá ficar pronta apenas para a reunião de cúpula no Rio de Janeiro, marcada para dezembro deste ano. A confirmação foi feita pelo ministro da Indústria e Comércio, José Botafogo Gonçalves. Os presidentes anunciaram no encontro de Ushuaia apenas um sumário sobre os avanços conquistados até agora na política comum, que irá reger a indústria automobilística do Mercosul a partir de janeiro do ano 2000.
Botafogo Gonçalves explicou que três pontos conceituais e um temporal foram acordados entre os quatro países membros, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. O primeiro se refere ao livre comércio intra-zona. Ou seja, a partir do ano 2000, os veículos produzidos na região estarão isentos de qualquer taxa de importação.
Foi acertada ainda uma Tarifa Externa Comum de 35% para veículos importados de terceiros países. Gonçalves disse que não haverá tarifas especiais cobrindo produtos específicos. Com isso, fica totalmente descartada a possibilidade de as montadoras instaladas no Mercosul venham a importar veículos de suas matrizes com alíquotas menores, como vinha sendo reivindicado pela Assoaciação dos Fabricantes de Automotores da Argentina (Adefa) e da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
O último ponto conceitual se refere ao fim dos subsídios nacionais (inclui os estaduais e municipais). O ministro disse que este ponto não interfere nas decisões de Estados e municípios na concessão de incentivos ou subsídios. A norma internacional, que será assinada pelos quatro países, implicará obrigações de não aplicar subsídios. Mas isso não significa que essas concessões estejam proibidas, apenas que, na eventualidade dessas aplicações, o produto (veículo) resultante desse procedimento terá aplicação do regime comum automotivo, explicou Botafogo Gonçalves.
Isso significa que qualquer veículo produzido com vantagens que prejudiquem a competitividade terão de pagar a mesma TEC dos carros importados de terceiros países. Finalmente, o sumário do regime divulgado na sexta-feira em Ushuaia definiu o dia 1º de janeiro do ano 2000 como a data de entrada em vigor do regime comum automotivo.
O ministro antecipou ainda que existem pendências a serem acertadas para concluir a estrutura definitiva do regime comum automotivo, razão pela qual o acordo não saiu nesta reunião de cúpula de presidentes do Mercosul. Entre as pendências estão, por exemplo, a não definição de uma TEC para caminhões e tratores, por exemplo. Neste ponto, o Uruguai e o Paraguai ainda pleiteiam que esses veículos recebam tratamento de bens de capital.
Outro ponto polêmico no regime ainda é o relacionado ao conteúdo ou regra de origem. O Brasil propõe 60% de conteúdo regional para ser considerado Made In Mercosul. A Argentina ainda insiste na idéia de que metade desses 60% sejam de conteúdo local. Isso seria criar uma reserva de mercado, sendo incompatível com as regras e normas que vêm sendo definidas para o regime comum, explicou o ministro.
ComitêO ministro comentou ainda que os quatro países decidiram criar um comitê de acompanhamento, de caráter governamental, de execução do regime comum automotivo. O comitê, que ainda não tem data definida para começar a funcionar, será responsável pela fiscalização dos compromissos assumidos pelas montadoras. O comitê se encarregará ainda de elaborar trabalhos de atualização técnica, diante do dinamismo da indústria automobilística mundial na área de tecnologia. Finalmente servirá como veículo de queixas e reclamações em relação à implantação ou não do programa comum para os quatro países.


