Curitiba - Onda comum, principalmente entre os jovens, rebaixar o carro já foi um problema sério para os motoristas brasileiros. Até 2008 a intervenção na altura do veículo era enquadrada no artigo que proíbe transformações nas características do veículo, rendendo multa, apreensão do carro e pontos na carteira. "Era complicado. Eu sempre fui fã de carros rebaixados e naquela época você rodava com a preocupação de ter o carro apreendido", relembra o vendedor Douglas Radaelli. A situação ficou ainda mais difícil para o corretor de seguros Alexandre Botta. Fã dos rebaixados há mais de 20 anos, ele já chegou a ter um carro apreendido por causa da alteração. "A gente andava por ruas secundárias, para evitar fiscalizações", recorda.
Embora a proibição tenha sido retirada, são necessários alguns cuidados e análise criteriosa antes de rebaixar um carro, já que a alteração traz mudanças na dirigibilidade, podendo deixar a direção comprometida em algumas situações do nosso cotidiano, principalmente na estrada.
A primeira dica é analisar as ruas por onde se costuma trafegar, o transporte de pesos, se passageiros são levados com frequência, se o carro vai com frequência para a estrada e até se a garagem possui guia rebaixada. "A lei trouxe regras específicas para o tema e a exigência de uma inspeção veicular", explica o inspetor da Polícia Rodoviária Federal, Wilson Martines. Segundo a lei, o proprietário deve pedir uma autorização ao Detran antes de fazer a modificação, que deverá ser submetida à avaliação de um instituto técnico, credenciado pelo Inmetro, que emite um Certificado de Segurança Veicular. É preciso que a nova altura seja indicada no documento do carro.
Para reduzir custos, é comum simplesmente cortar ou aquecer as molas originais da suspensão para rebaixá-la. Só que o barato pode sair caro: o serviço feito sem critério aumenta os riscos de acidentes, como a perda de controle do carro e maior desgaste das peças. "Elas passam a absorver mais impactos do que o esperado quando foi projetada. Em uma curva, o carro passa a responder de forma diferente. Altera o rendimento do freio, da suspensão. Mexe com tudo", alerta o inspetor Martines. As mudanças sem certificação continuam a render multa e apreensão.

Sem dores de cabeça
Nas lojas de Curitiba, um pacote de alteração da suspensão completo, incluindo a legalização, que é feita por meio de um despachante, vem com molas novas, amortecedores e outros acessórios. O veículo sai da oficina pronto para rodar, sem dores de cabeça para o dono, e os custos variam de R$ 600 a R$ 1.000. "A legalização deixou o serviço mais caro, mas traz segurança para o motorista", observa Radaelli. A suspensão retirada do veículo geralmente é devolvida ao proprietário, que pode desfazer o rebaixamento em caso de venda ou se simplesmente quiser recuperar as características antigas do carro.
A altura mínima permitida por lei, entre o chassi do carro e o solo, é de 42 cm. A Resolução do Contran prevê ainda somente alteração de suspensão fixa, mantendo a proibição para suspensões reguláveis a ar, controladas pelo painel, e as de rosca, que permitem a mudança manualmente. É preciso estar atento também à recusa das seguradoras em aceitar veículos que tenham sofrido alterações. "Mesmo estando regularizado, elas evitam", lamenta Botta, que participa de um grupo de aficionado por carros rebaixados na internet, o "Baixos CWB". "Alguns amigos criaram e me convidaram. Lá trocamos fotos de diversos modelos, além de organizar encontros", explica Botta, tão fã que até o carro da mulher ganhou nova suspensão. "Eu falo para os amigos que se me virem circulando em um veículo que não é rebaixado, ou não sou eu, ou o carro é emprestado", brinca.

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