A preocupação dos estrategistas para se locomover em uma guerra
é dispor de um veículo resistente. Nesse aspecto, os Jeeps se encaixavam muito bem. Sabendo disso, o técnico químico da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), Antônio Carlos Ajarilla, um apaixonado por militarismo, sempre teve o sonho de possuir um automóvel que atendesse esse perfil.
O cumprimento dessa meta se deu em 2010 quando adquiriu um Jeep Willys CJ-3B, de 1954 que, segundo a documentação, pertenceu ao 27º Batalhão Logístico do Rio de Janeiro. "Esse Jeep foi arrematado em um leilão do Exército em 1999 por um senhor que queria presentear o neto que amava militarismo. Foi desse rapaz que comprei o veículo há cerca de três anos", conta Ajarilla.
De acordo com o químico, os veículos eram comprados no exterior pelo Exército brasileiro e, depois, passavam por ajustes na empresa Bernardini. Posteriormente, eram utilizados em missões e outras atividades das Forças Armadas. No caso do CJ-3B de Ajarilla, o Jeep veio de Ohio, nos Estados Unidos.
Para aguentar a dura rotina militar, o 54 era preparado com um motor quatro cilindros e tração nas quatro rodas. Sem portas para facilitar a entrada de soldados, o automóvel tem dois bancos na frente e um inteiriço traseiro, comportando entre quatro e cinco pessoas. "Ele é bem simples, mas muito resistente", destaca o proprietário.
Um fator curioso sobre a mecânica do veículo que enche Ajarilla de bom humor, é a partida no botão sem o uso de chaves. "As empresas têm apostado nisso hoje e vendem como se tivessem inventado a roda, mas a verdade é que um Jeep de 54 já dispunha de tecnologia semelhante", assinala.
Na busca por uma "cara" ainda mais militar ao Jeep, além da cor verde e a capota em um tom próximo ao ocre, o técnico se preocupou em comprar adesivos ligados ao Exército e os distribui pela lataria.
Prevenido contra possíveis encalhes, o veículo tem em sua dianteira um suporte em que pode ser encaixado um guincho.
Vestido com um camiseta similar aos uniformes militares e uma boina verde oliva, o proprietário lembra que o CJ-3B foi produzido em quantidade relativamente pequena se comparada com outras famílias de Jeeps – cerca de 30 mil unidades – em sua primeira fase entre 53 e 54. Os motivos para uma produção pequena se explicam no design do veículo que, se não agradou o público civil, fez sucesso entre os militares.
Soma-se ao histórico do veículo a participação de desfiles junto ao Tiro de Guerra de Londrina. Ajarilla relembra que em 1976 serviu no 20º Batalhão de Infantaria Blindada (BIB) em Curitiba e sente-se orgulhoso por hoje preservar um pouco da história das Forças Armadas.
"No tempo em que servi dirigia um Jeep como este. Preservar um automóvel assim, é uma honra", orgulha-se.

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