Quem segue a Lei diz ter medo de acidentes
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sábado, 11 de agosto de 2001
Ed Carlos Rocha<BR>De Curitiba 
Mais do que levar uma multa pesada e ter o direito de dirigir cassado, as pessoas que optam por dirigir e não beber, ou beber e não dirigir, se dizem com muito medo de se envolverem em acidentes que possam machucar a elas mesmas e a outras pessoas.
Exemplo disso são as amigas estudantes Ana Paula Pereira, 29 anos, e Melissa Piske Indalécio, 26 anos. Acostumadas a sair juntas, elas já esquematizaram um revezamento que, segundo contam, tem se tornado infálivel. A cada saída uma delas fica sem beber para levar a outra, que vai se deliciar com os prazeres do álcool, para a casa. ''Assim estamos sempre nos divertindo e com a consciência de que chegaremos bem em casa'', conta Ana Paula. ''Já criamos esse hábito e tem sido uma boa maneira de bebermos com responsabilidade'', afirma Melissa.
Melissa disse que já sofreu um acidente sério, em que não estava bêbada, mas que deu para sentir o trauma que é. Isso, segundo ela, deu ainda mais estímulo para não dirigir bêbada. ''Já aconteceu de eu estar sozinha e com o carro e começar a beber. Para não correr risco, deixei o carro no local e fui embora de táxi.''
A responsabilidade de ambas ajuda até a resolver problemas com os maridos. Quando saem todos juntos, elas automaticamente já sabem que terão que assumir o volante na volta para a casa. ''Se eles começam a beber demais a gente já se prepara para conduzir o carro depois'', diz Ana Paula.
Outro exemplo de consciência é o administrador de empresa, Leandro de Castro, 32 anos. Segundo ele, que diz saber na ponta da língua todas as implicações legais de ser apanhado dirigindo bêbado, quando sai bebe apenas um chope e nada mais do que isso. ''Sei que é o suficiente para não ter problemas caso seja parado em uma blitz e para evitar acidentes''.
Tanta precaução já rendeu até elogio de um guarda de trânsito quando caiu numa fiscalização. ''Tinha bebido um chope e fui parado na blitz. Fiz o teste do bafômetro e fui liberado em seguida. Até recebi um elogio do guarda quando disse que costumava sempre me cuidar.''
Mas como ninguém é de ferro, Leandro também arrumou um jeitinho de poder sair e tomar mais do que um chope. Nestes casos, a noiva se encarrega de conduzir o carro para a casa.
Com tanto cuidado, Leandro até já ganhou o título de ''chato da turma''. Ele conta que os amigos não se preocupam muito em misturar álcool e direção e até o ''condenam'' por ser ''careta''. ''Com isso acaba sobrando sempre para mim ter que levá-los embora depois da bebedeira''.
Algumas pessoas que bebem um pouco além da conta também se dizem mais com medo de se envolver em acidente e matar alguém do que ser multado. ''A gente toma o maior cuidado quando sabe que bebeu para evitar um acidente mais grave. Por isso, sempre procuro andar mais devagar e com ainda mais atenção nestes casos'', afirma o empresário Fernando Dallagranna.
Quem costuma beber e já se envolveu em acidente, o trauma ajuda a, pelo menos, diminuir a bebedeira atual. O estudante M.A. 20 anos, conta que depois que bateu o carro em outubro de 99 porque estava bêbado, de madrugada, indo para a praia, tem tentado diminuir a quantidade de álcool quando sai. ''Felizmente não aconteceu nada de grave. Mas desde então procuro beber menos, intercalo a bebida com água e paro de beber um bom tempo antes de sair do bar. Além disso, procuro andar bem devagar e com muita atenção. Quando sei que vou beber um pouco mais, vou de carona.''


