A maioria das pessoas que equipam seus carros com ar-condicionado ou película em busca de maior segurança já sentiram na pele o medo e a angústia de sofrer um assalto. Em alguns casos, bem mais de uma vez.
A bióloga Elizabeth Leal, por exemplo, foi assaltada seis vezes antes de tentar dar um basta na situação. ‘‘Eu tinha um Escort e depois um Gol sem ar-condicionado. Por isso sempre estava com o vidro um pouco aberto. Agora tenho uma Blazer, que além de ter ar, é mais alta e intimida mais quem está interessado no roubo’’.
Segundo ela, os assaltos acontecerem em dois anos e a deixaram traumatizada. ‘‘É horrível ver um menino com um bisturi dizendo que vai enfiá-lo na sua garganta se não der dinheiro. Fiquei traumatizada. Mas agora, num carro mais alto e com os vidros fechados, não fui mais incomodada’’.
A autônoma Marilza Mariani Ribeiro dos Santos também usa o ar pelo aspecto da segurança. Depois de sofrer um assalto em 96 por estar com o vidro aberto, ela passou a ter o equipamento no carro. ‘‘Estava com o vidro um pouco aberto e um menino disse que era um assalto e que queria dinheiro. Na hora fiquei paralisada e nem consegui mais dirigir. É horrível’’.
De acordo com Marilza, depois desse dia nunca mais saiu de carro que não tivesse ar-condicionado. ‘‘Se estragar o equipamento eu nem saio de casa de tanto medo’’, diz Marilza, que nem se importa com a dor de cabeça que costuma ter por causa do ar gelado. ‘‘É melhor a dor do que o risco de ser assaltada.’’
O problema também atinge os homens. O gerente de banco André Luiz Guelmo já teve o relógio, celular e carteira levados por assaltantes quando estava parado no semáforo. Ele até tinha ar-condicionado no seu Vectra, mas o equipamento estava estragado. ‘‘Depois desse dia fui correndo até uma oficina para consertar o aparelho.’’
Junto ao ar, a película também conquista os motoristas preocupados com a segurança. É o caso da empresária Sandra Elizabeth. Depois que ladrões quebraram o vidro e levaram o rádio do seu Palio, ela instalou a película de segurança, que é escura e dá mais resistência ao vidro. ‘‘A película dificulta a visualização no interior do automóvel principalmente à noite. Quando estou no sinaleiro, sinto que as pessoas não conseguem ver realmente se é homem ou mulher que está dentro do carro. Fico mais tranquila.’’

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