Queda dos juros deve ampliar vendas
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de janeiro de 2001
Agência Estado De Detroit - EUA 
A continuidade da queda na taxa de juros no Brasil pode levar a indústria automobilística brasileira a ultrapassar a expectativa de produção de 1,85 milhão de veículos em 2001. Executivos ligados às principais montadoras são unânimes ao afirmar que o ano trará resultados positivos para o setor, permitindo que a indústria chegue mais perto do volume de 2 milhões de unidades, patamar obtido em 1997 e reduzido significativamente nos dois anos seguintes.
No ano passado, a produção alcançou 1,67 milhão de unidades, um crescimento de 23%. O Brasil teve um progresso muito bom no ano 2000 e tudo o que está sendo feito na economia nos leva a crer que 2001 deve ser um grande ano para a indústria automobilística do País, sustentou o presidente mundial da montadora japonesa Nissan, o brasileiro Carlos Ghosn, durante o North American International Auto Show (Naias 2001), o Salão de Detroit, nos Estados Unidos. O presidente mundial da DaimlerChrysler, Jurgen Schremp, também manifestou a confiança no mercado brasileiro. Acreditamos que os resultados positivos alcançados no ano passado vão continuar, disse o executivo em Detroit.
Para o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, 2001 será o ano da nossa redenção. Em sua opinião, se houver queda substancial na taxa básica de juros que beneficie o consumidor, a produção poderá ser superior a 1,85 milhão de veículos.
Ele acredita que o total de 2 milhões de unidades produzidas será novamente atingido já em 2002. Para o vice-presidente da Anfavea, Célio Batalha, diretor de Assuntos Corporativos da Ford, a volta deste volume vai depender dos resultados das exportações brasileiras para novos mercados como a África do Sul e a Venezuela e a da intensificação do comércio com o México e a Argentina. A indústria brasileira está preparada e bem estruturada para responder a um aumento de demanda, observou Batalha, lembrando que a capacidade instalada no País é de aproximadamente 3 milhões de veículos.
O vice-presidente mundial da General Motors, Fritz Henderson, presidente das operações da montadora para a América Latina, África e Oriente Médio, também acha que o crescimento do mercado em 2001 pode ultrapassar os 10% previstos. Tudo vai depender de menores taxas para o consumidor, afirmou. Em sua opinião, a situação da economia argentina é o principal fator de risco externo para o Brasil. O mercado brasileiro ainda é muito vulnerável à Argentina, justificou.
Uma nova redução na taxa básica de juros, entretanto, não deve alterar os investimentos de US$ 3.022 bilhões programados pelas montadoras para o Brasil em 2001. Estes recursos são fruto de um planejamento de longo prazo, observou Pinheiro Neto.


