A continuidade da queda na taxa de juros no Brasil pode levar a indústria automobilística brasileira a ultrapassar a expectativa de produção de 1,85 milhão de veículos em 2001. Executivos ligados às principais montadoras são unânimes ao afirmar que o ano trará resultados positivos para o setor, permitindo que a indústria chegue mais perto do volume de 2 milhões de unidades, patamar obtido em 1997 e reduzido significativamente nos dois anos seguintes.
No ano passado, a produção alcançou 1,67 milhão de unidades, um crescimento de 23%. ‘‘O Brasil teve um progresso muito bom no ano 2000 e tudo o que está sendo feito na economia nos leva a crer que 2001 deve ser um grande ano para a indústria automobilística do País’’, sustentou o presidente mundial da montadora japonesa Nissan, o brasileiro Carlos Ghosn, durante o North American International Auto Show (Naias 2001), o Salão de Detroit, nos Estados Unidos. O presidente mundial da DaimlerChrysler, Jurgen Schremp, também manifestou a confiança no mercado brasileiro. ‘‘Acreditamos que os resultados positivos alcançados no ano passado vão continuar’’, disse o executivo em Detroit.
Para o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, 2001 será ‘‘o ano da nossa redenção’’. Em sua opinião, se houver queda ‘‘substancial’’ na taxa básica de juros que beneficie o consumidor, a produção poderá ser superior a 1,85 milhão de veículos.
Ele acredita que o total de 2 milhões de unidades produzidas será novamente atingido já em 2002. Para o vice-presidente da Anfavea, Célio Batalha, diretor de Assuntos Corporativos da Ford, a volta deste volume vai depender dos resultados das exportações brasileiras para novos mercados como a África do Sul e a Venezuela e a da intensificação do comércio com o México e a Argentina. ‘‘A indústria brasileira está preparada e bem estruturada para responder a um aumento de demanda’’, observou Batalha, lembrando que a capacidade instalada no País é de aproximadamente 3 milhões de veículos.
O vice-presidente mundial da General Motors, Fritz Henderson, presidente das operações da montadora para a América Latina, África e Oriente Médio, também acha que o crescimento do mercado em 2001 pode ultrapassar os 10% previstos. ‘‘Tudo vai depender de menores taxas para o consumidor’’, afirmou. Em sua opinião, a situação da economia argentina é o principal fator de risco externo para o Brasil. ‘‘O mercado brasileiro ainda é muito vulnerável à Argentina’’, justificou.
Uma nova redução na taxa básica de juros, entretanto, não deve alterar os investimentos de US$ 3.022 bilhões programados pelas montadoras para o Brasil em 2001. ‘‘Estes recursos são fruto de um planejamento de longo prazo’’, observou Pinheiro Neto.

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