Quatro entre dez motoristas atendem recall
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sábado, 06 de outubro de 2012
João Fortes <br> Reportagem Local 
Embora a tecnologia seja cada vez mais avançada nas linhas de produção automobilística, os veículos também estão sujeitos a defeitos de fabricação. E assim como qualquer outro produto, cujo problema pode oferecer algum risco de acidente, a montadora é obrigada a convocar os proprietários dos modelos afetados para um recall e fazer o reparo no veículo ou trocar a peça afetada.
A manutenção não pode ser cobrada e nem tem um prazo para ser feita, mas é de extrema importância, já que se trata de uma questão de segurança dos ocupantes do veículo, de outros motoristas e até mesmo de pedestres. ''A grande maioria dos recalls de veículos acontece por questões de segurança, por isso é importante fazer a execução do serviço o quanto antes para corrigir qualquer erro da fábrica e não correr riscos'', destaca o analista do Centro de Estudos de Segurança Viária (Cesvi), Claudemir Rodrigues.
De acordo com dados do Ministério da Justiça, de janeiro a agosto de 2012 foram realizados 28 recalls no Brasil, o mesmo número em igual período de 2011. Mas nem todos os donos de veículos convocados atendem prontamente ao chamado de recall. Estima-se, segundo o Ministério, que só 60 a 65% dos proprietários comparecem à concessionária para realizar a manutenção do carro.
Há quem considere que falta informação e eficiência nas convocações das montadoras. ''O consumidor não tem ideia do alcance que pode ter um produto com defeito e a forma como são feitos os recalls se restringe à obrigação'', afirma a coordenadora do Procon do Paraná, Claudia Francisca Silvano.
Por outro lado, algumas concessionárias destacam a dificuldade em convencer certos clientes, que acabam adiando ou simplesmente não levam o veículo para fazer o reparo. É o que confirma o gerente de pós-vendas da Nissan Nicenter, de Londrina, Roberto Barreto.
Em fevereiro deste ano a montadora convocou 35.280 proprietários da Frontier para corrigir uma falha no aperto de parafusos da coluna de direção e da trava do capô. Coube à concessionária londrinense enviar cartas e ligar para cerca de 200 clientes. A maioria levou o carro para fazer manutenção, mas ainda há veículos circulando pelas ruas sem os ajustes necessários. ''São aproximadamente uns 20 clientes que ainda não trouxeram o veículo. Alguns alegam falta de tempo'', afirma.
Além de insistir com os clientes para fazer o reparo o quanto antes, Barreto destaca que a equipe da oficina fica alerta para qualquer veículo que chegar para outros reparos. ''Temos um sistema ligado com a fábrica que já indica se aquele veículo tem alguma pendência.''
Reginaldo Luiz Gouveia foi um dos proprietários de Frontier convocados e assim que foi contatado não perdeu tempo. ''Me ligaram informando que iam trocar a porca e logo levei para fazer o conserto. Acho importante, ainda mais porque uso bastante o carro'', conta o pecuarista.


