Quem assite corridas pela televisão, ou mesmo quem vai até os autódromos, olha para aqueles pilotos andando a mais de 300 km/h e imagina que no trânsito eles são imbatíveis e exímios motoristas. Mas as coisas não são bem assim.
Piloto, como qualquer motorista do dia-a-dia, também bate o carro, faz barberagem e comete outras falhas. Só que com um detalhe: pela convivência constante com a velocidade, tem mais reflexo e reagem mais rápido a uma situação crítica, como uma freada repentina do carro da frente. Isso lhe permite abusar um pouco mais, mesmo que muitos não confessem, e até dar algumas dicas de segurança.
Flávio Trindade, 39 anos, sendo 22 como piloto de competição, diz, que pela experiência com carros de corrida, consegue antecipar manobras. ‘‘Consigo prever algumas coisas que poderiam resultar em um acidente. É reflexo desenvolvido nas pistas, onde tudo acontece em milésimos de segundo’’, explica.
O piloto garante que a velocidade que ele alcança nas pistas, 250 km/h de Stock Car e 315 km/h quando participa de provas longas, não se aproxima nem um pouco de como ele anda nas ruas.
O piloto paranaense Tarso Marques, que está na F-1, é um dos que destacam a necessidade de cuidados nas ruas. ‘‘Eu ando devagar, com cuidado. A diferença da pista e da rua é que nas corridas não têm mãe atravessando com filhinho no meio da rua, carros na contra-mão...’’.
Marques, apesar da pouca idade, ele só tem 25 anos, fala com o conhecimento de quem foi o piloto mais jovem a guiar um F-1, aos 18 anos, quando ainda não tinha nem carteira de motorista, o que conseguiu aos 19.
O piloto de F-1 acredita que muitos acidentes poderiam ser evitados se as pessoas tivessem um pouco mais de noção de como o carro se comporta. ‘‘Por exemplo: na chuva, na maioria das vezes, não se deve por o pé no freio se perceber que vai bater. Mas não é isso que acontece’’.
Marques diz ainda que o ideal é dirigir perto do volante, sem ficar com o braço reto, para não precisar tirar o braço na hora de fazer uma curva, o que torna a manobra mais segura.
Enrique Bernoldi, de 22 anos, também piloto de F-1, diz que uma maneira de evitar acidentes é o motorista não fazer o que não sabe. ‘‘Não se deve tentar ser piloto nas ruas.’’
Outro paranaense de destaque internacional que também acredita que piloto prevê o que os outros motoristas vão fazer é o piloto reserva da Jordan, Ricardo Zonta, de 25 anos. ‘‘Pela maneira que os outros estão conduzindo, qualquer piloto pode adivinhar o que vai acontecer. Quando estamos no carro, estamos cuidando o tempo todo, porque a qualquer hora pode acontecer uma batida, como na corrida.’’
Wagner Ebrahim, de 23 anos, piloto de F-3 Sul Americana, se define como um piloto agitado no trânsito, mas garante que não desrespeita os limites impostos pela lei.
Ebrahim diz que de vez em quando pisa um pouco mais no acelerador, mas sempre com cuidado. ‘‘Faço isso sem abusar’’, conta, dizendo que sempre recusa os convites para rachas.
O piloto de F-3 acredita que alguns cuidados são indispensáveis para o motorista, como o uso da seta. ‘‘Acostumei-me a usar na Europa e percebi que assim os outros motoristasm te respeitam mais’’.

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