''O que me faz ter um carro antigo não é apenas o prazer de dirigir, mas saber que não é em qualquer esquina que encontrarei um automóvel desse e que ele tem um valor histórico.'' Assim o funcionário público Marcos Pelincer apresenta a sua Chevrolet Caravan Comodoro 85, modelo 6, na cor cinza e que conserva todo o seu vigor e uma aparência de ''menina''.
Praticamente toda original, a Caravan tem um motor 151 de quatro cilindros a álcool, além do tradicional espaço para cinco pessoas, com conforto, que já fazia dela sucesso pelo mundo em meados dos anos 1960 e a partir da década seguinte também em ruas brasileiras. Vale uma atenção especial para o bagageiro. ''Com o tempo, geralmente, o pessoal deixa o bagageiro enferrujar ou o jogam em um canto, mas esse está perfeito'', enfatiza com alegria o proprietário.
Também despertam o interesse de apaixonados por antigomobilismo o enorme porta-malas - nesta versão, com uma tampa na interna do carro -, o estepe tradicional de mercado no ano de fabricação e ainda um rádio Chevrolet.
Outros quesitos originais são as travas e vidros elétricos. Segundo Pelincer mesmo costuma brincar, o veículo tem quase tudo o que dispunha na época em que foi fabricado, menos ar-condicionado.
Com cinco marchas, freio a disco nas rodas dianteiras e a tambor nas traseiras, o carro é muito fácil de dirigir, destaca o funcionário público. ''Eu não gosto de colocar na estrada pelos riscos que a gente corre de voar pedrinhas quando se está atrás de um caminhão, além de acidentes. Mas é um automóvel mais gostoso de dirigir do que esses veículos novos'', garante. ''Essa Caravan fica guardada e coberta, só saio com ela para alguns finais de semana e eventos'', completa.
Todo o cuidado com o carro serve para explicar o bom estado do veículo, mas esse mérito Pelincer faz questão de dividir com outras pessoas. Ele diz ser o terceiro dono e que desde que o veículo começou a circular em Londrina sempre recebeu atenção especial. ''Até 2010, pertenceu a um senhor, que, talvez, justamente por ter uma certa idade nunca forçou o carro. Em setembro daquele ano, um amigo meu comprou a Caravan e dois meses depois eu a adquiri em um 'rolo' envolvendo um Opala 79 que eu tinha mais um valor em dinheiro'', lembra.
Com 27 anos e apenas 120 mil quilômetros rodados, a Caravan de Pelincer só não tem mesmo as rodas originais, que são do Diplomata 92. Mas é uma postulante à placa preta - e esse é o objetivo do funcionário público para daqui a três anos. ''Não tenho intenção alguma de vendê-la. Tenho também um Fusca 77 e estou esperando a Caravan completar 30 anos para os dois ganharem placas pretas'', planeja.

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