‘‘Cheguei agora há pouco de Rondônia e viajei a noite inteira. É muito cansativo, o caminhão esquenta, as estradas estão ruins. O sono vem, mas a gente tem que entregar a carga no horário marcado, não tem jeito. Sei que é muito perigoso, mas preciso trabalhar. Quando aperta muito, o caminhoneiro toma um ‘rebite’ para agüentar e afastar o cansaço.’’
José Pereira, 58 anos, 40 de profissão (Maringá/PR)


‘‘As empresas querem que a gente carregue à noite e entregue de manhã, não tem como descansar direito. Saio aqui de Londrina e viajo mil quilômetros até Caxias do Sul. Durmo duas ou três horas por noite, fico muito cansado, mas não tem solução, preciso trabalhar. As estradas não estão boas e isso ajuda a gente a ficar acordado, com medo de cair em algum buraco.’’
Francisco Antonio Pedroti, 24 anos, 6 de profissão (Caxias do Sul/RS)


‘‘Eu não gosto de rodar muito à noite e faço minha programação para andar de dia, mas quando a empresa exige, não tem o que fazer. As estradas estão péssimas, mesmo com os pedágios. Eles só tapam buracos e deixam a rodovia cheia de solavancos. Quando vem o cansaço, eu paro. Mas se precisar rodar, tomo muito café preto e Coca-Cola, assim agüento o tranco.’’
Laurindo Dierings, 43 anos, 21 de profissão (Erexim/RS)


‘‘Quando dá sono, eu paro. Já aconteceu de pegar no sono e sair fora da pista, mas aí eu acordei e consegui trazer o caminhão de volta para a estrada. Foi um grande susto. Agora, durmo uma, duas horas, e rodo umas três, paro de novo, durmo mais um pouco e volto para a estrada. Tem gente que toma ‘rebite’, eu já tomei, mas agora não faço mais isso, é muito perigoso.’’
Antonio Carlos Astor Filho, 28 anos, 10 de profissão (Mirassol/SP)

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