Quando a paixão vira negócio
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de novembro de 2010
Luciano Balarotti<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Com o notável crescimento no número de colecionadores de automóveis antigos ao redor do País, e especialmente no Paraná, onde o antigomobilismo é bastante difundido, o mercado de compra e venda dos veteranos modelos também vive momento de crescimento. E cada vez mais surgem lojas especializadas na comercialização de veículos antigos completos, além de peças e acessórios de época para quem busca o máximo em originalidade para seus carros.
No comando desse negócio emergente, normalmente encontra-se um aficionado por carros antigos, como é o caso de Durair do Rosário Filho, proprietário da Clássicos e Antigos, uma das lojas desse tipo localizada na Capital. Colecionador de veículos antigos por hobby, o empresário entrou no negócio quase que por acaso. ''Colecionava carros e um dia apareceu outro colecionador me perguntando por quanto eu vendia um de meus carros. Pedi um valor que eu achava bom e ele pagou, daí eu vendi. Então percebi que dava para investir neste negócio. Com o dinheiro dessa venda eu comprei outro carro, até melhor que o anterior, para vender depois'', conta.
Para transformar sua coleção particular em ''produtos que estão na prateleira'', Durair teve que abrir mão de qualquer apego por seus carros. Algo bem diferente do que acontece normalmente com seu clientes, que procuram modelos que de alguma forma marcaram suas vidas. ''Não existe especificamente um carro ou modelo mais procurado, mas quase sempre as pessoas vêm atrás de um carro por algum motivo pessoal. Tem gente que quer um carro igual ao que alguém da família teve ou então igual ao primeiro carro de suas vidas'', conta o comerciante, que, quando não tem o modelo à disposição, procura em sua rede de contatos ao redor do Brasil. ''Trabalho com compra e venda, dou assessoramento a quem quer comprar e também pego alguns carros em consignação'', complementa.
Para encontrar modelos interessantes, Durair costuma participar de encontros de colecionadores, onde os negócios na área costumam acontecer com mais frequência. ''Não é um mercado simples ou movimentado, mas tem um público fiel'', destaca o empresário, que não pensa em lidar com outro setor aquecido do mercado, o de restauração. ''Além de carros em ótimo estado, sempre tem gente que procura carros que ainda precisam de reparos e eu tenho este tipo também. Até porque, particularmente, eu não reformo os carros, apenas compro e vendo no estado que estão''.
Apesar disso, na garagem de sua loja, os carros que aguardam um comprador se destacam pelo bom estado de conservação e originalidade. Em um ou outro falta um detalhe de acabamento aqui, ou existe um acessório não original ali, mas a condição geral agrada. Na loja, e especialmente no site www.classicoseantigos.com, a variedade de modelos é grande e engloba desde clássicos nacionais como os DKW Belcar e Vemaguet, VW Fusca e SP2, Ford Corcel Sedã e GT e Puma GTS, modelos norte-americanos - chama atenção um enorme Chevrolet Byscaine 1960 - e europeus, como o belo Alfa-Romeo Spider, e mesmo hot-rods - destaque para um modelo baseado no Willys 1940, com carroceria de fibra de vidro, chassi tubular e mecânica de Opala seis cilindros. Mas, de todos os modelos à venda, o que mais chama atenção é um raríssimo Brasinca Uirapuru, o primeiro modelo esportivo fabricado no País, que trocou o motor original, de 4,2 litros, que era utilizado pelas picapes Chevrolet dos anos 60 pelo mais moderno seis cilindros, de 4,1 litros, que equipva o Opala. ''Esse carro é de um amigo meu, e está lá no Rio Grande do Sul'', ressalta.
Em meio a tanto modelos clássicos e exclusivos, Durair ainda mantém vivo o sonho de ter, para uso pessoal, uma lista de três carros norte-americanos. ''Entre os que eu realmente gostaria de ter, mas que são muito caros, estão o Corvette 1958, o Mustang 1967 e o Camaro 1968, todos conversíveis'', cita, antes de contar o motivo que o levou a apreciar carros antigos. ''é uma história de família. Meu avô teve um Chevrolet 1939 que ele usou para trabalhar na praça. Depois disso, ele comprou outros carros e teve mais de 30 trabalhando na praça ao mesmo tempo, mas sempre conservou aquele Chevrolet. Quando ele morreu, herdei esse carro, mas na época, ainda garotão, não dei tanto valor e troquei o Chevrolet por um Passat. Mais tarde me arrependi e procurei por um bom tempo até encontrar um outro Chevrolet 1939, que eu comprei. Gostei do carro e fiquei com ele por um tempo, mas depois que entrei neste negócio também o vendi'', diz.


