Cada vez mais criativos e bem-humorados, os comerciais no setor automobilístico estão iniciando uma nova fase na propaganda brasileira
DivulgaçãoREVELAÇÃOO engenheiro eletrônico Henrique D’Espíndula foi selecionado para fazer o comercial mesmo sem qualquer experiência como atorTrecho do filme ‘Falando em Alemão’. À esquerda, J.D. Rodrigues, presidente do Sindicato das Agências de Publicidade do ParanáLuciana PeixotoLuxo, criatividade, sofisticação, humor e tecnologia. Poucos setores do mercado conseguem reunir tantos adjetivos. No entanto, quando o assunto é propaganda automobilística às vésperas do ano 2000, estes fatores são transformados em itens obrigatórios.
Há cinco anos, quando o mercado experimentava um crescimento desenfreado, o setor publicitário já apostava em campanhas bem elaboradas para impulsionar ainda mais as vendas. Portanto, era de se esperar que num período de crise como este por que passa o País, o setor automotivo apostasse todas suas fichas nas campanhas publicitárias. Mas não há como deixar de se surpreender com a qualidade do trabalho desenvolvido pelos profissionais brasileiros.
Filmes belíssimos como o dos ‘‘Sete Pecados Capitais’’, do Fiat Brava deixam os consumidores de queixo caído. No entanto não há nada mais em moda e convincente que os comerciais bem-humorados.
Bom humor Quem não se lembra dos operários que saem do bueiro e discutem sobre a traseira e o ‘‘airbag’’ do Corsa Sedan? Mas, na realidade, nunca se viu tantas propagandas divertidas e inteligentes quanto nos últimos meses. Vinha sendo veiculado em São Paulo um comercial em que um garoto tenta tomar um sorvete sentado no banco de tras de um carro, mas só fica batendo com o sorvete no nariz. A propaganda é sobre um novo sistema de amortecedores da Fiat. Simples e absolutamente criativo.
Nas últimas semanas também têm chamado a atenção dos telespectadores as propagandas do novo Fiesta, que ao ser deixado num lava-car sai de lá completamente seco pelos olhares invejosos, e do novo Gol, que é lavado com todo o capricho pelo vizinho.
Embora todas as montadoras, sem exceção, estejam apostando todas suas fichas em campanhas publicitárias, sempre há uma outra que se destaca e tem o reconhecimento não só dos consumidores como dos próprios profissionais do setor. Neste sentido, uma pesquisa realizada recentemente pela revista Meio & Mensagem revelou que a Volkswagem é líder no setor automobilístico na catetoria ‘‘Propaganda de TV preferida por marca’’.
O título é reflexo direto da campanha desenvolvida pela agência de publicidade paulista Almap Bbdo e O2 Filmes, ressaltando a cultura alemã para promoção do Golf produzido no País. Os filmes de checagem dos componentes do novo modelo, estrelados pelos ‘‘alemães’’ (veja quadro) é sucesso nacional, que agora ganhou um novo aliado na mesma linha, o filme do acarajé, em que o salgado é vendido por uma ‘‘baiana’’ alemã recheado com salsicha.
Concorrência A repercursão dos comerciais pode ser medida pela reação da própria concorrência. Dias após o lançamento do filme do Golf, a GM colocou no ar um personagem dançando ‘‘Tico-tico no fubᒒ em alemão para promover o novo Corsa.
Assim como o humor tomou conta das propagandas do setor, a tecnologia também vem sendo alvo dos criadores. Depois do comercial divertido da ‘‘Ladeira’’ para divulgação do novo motor Zetec, da Ford, os telespectadores também puderam apreciar um show de recursos tecnológicos para a divulgação do mesmo produto, só que desta vez numa mesa de fliperama.

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