Quinta-feira, 10 horas da manhã. No pátio da 12 Ciretran, em Londrina, um grupo de jovens vive momentos de ansiedade e nervosismo. A tensão não é à tôa. Em poucos minutos, todos estarão na mira dos examinadores durante o exame prático de direção, prova crucial para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Diariamente, mais de 100 candidatos passam por esta via crucis em Londrina. A maioria tenta conseguir a primeira habilitação, na verdade, uma licença válida por um ano para dirigir automóveis de passeio ou motocicletas. ''Nosso índice de aprovação nos testes práticos é bom. Cerca de 60% dos candidatos nas categorias A (moto) e B (carro) são aprovados. Em exames de alteração de categoria, o número de aprovados chega a ser de 80%'', argumente Rubens Loureiro, chefe da 12º Ciretran.
Apesar dos números favoráveis, o nervosismo dos candidatos é explícito. Durante o exame prático, dividido em duas partes, o futuro motorista não pode falhar. No pequeno trajeto, realizado nas redondezas da Ciretran, o examinador vai ao lado do motorista orientando as direções e dando as ordens no trânsito. Toda cuidado é pouco. Uma sinalização errada, uma freada, uma manobra arriscada, pode colocar tudo a perder.
Na verdade, falhas são permitidas. Para cada erro, um ou dois pontos são anotados. Com três pontos negativos o candidato é eliminado e a obtenção da carteira fica para uma outra vez. Erros graves também são eliminatórios.
''É uma mistura de tudo. Um pouco de ansiedade, de medo, de insegurança'', relata a estudante Adriana Suzuki enquanto aguarda a sua vez no exame. Para ela, o pior de tudo é a temida prova da 'baliza'. ''O percurso é mais tranquilo. O que me dá medo mesmo é a hora de estacionar'', diz aflita.
Para outra estudante, Jenifer Yasoyama, a tensão começa um dia antes. ''O nervosismo surge na véspera. A gente nem dorme direito de tanta ansiedade'', conta. De olho nos protótipos que servem para orientação na prova da baliza, Jenifer levanta uma dúvida cruel. ''De longe, parece que o espaço é menor e o carro bem maior'', diz comparando o exame com as aulas tomadas na auto-escola.
Segundo os instrutores - que sempre ficam ao lado dos alunos dando apoio e tentando descontraí-los - o que mais deixa os candidados nervosos são os olhares curiosos. ''A primeira regra é não trazer niguém da família para ver. Pai, mãe, irmão, namorado só atrapalham nessas horas'', diz Leonardo Dias, com a experiência de quem há cinco anos trabalha como instrutor de auto-escola.
A costureira Vânia de Fátima Pieroli Artoni, que também estava em busca de sua habilitação, afirma que a ansiedade e o medo são sensações comuns nestas horas e fazem parte da característica do ser humano. ''Não tem como fugir desta sensação. Você está sendo avaliado e isso é normal. O que procuro fazer é tentar me acalmar, pois o nervosismo só atrapalha'', explica. Para a costureira, o melhor do exame é o resultado: ''Aqui, o bom é que você sabe na hora se passou ou não. Isso evita mais ansiedade''.
Na hora ''H'' a amizade se forma e a força é uma só, garantem os estudantes Tiago Alves, Ulisses Pirola e Igor Juan, minutos antes de serem avaliados. ''A gente tá tranquilo. Acho que nervosismo mesmo vem quando se entra no carro e parte para a prova da baliza'', diz Tiago. Para Ulisses, tudo é uma questão de sorte: ''Tem gente que dirige e é reprovado, enquanto outros, que nunca dirigiram, passam na primeira''.
Para os instrutores e examinadores, apesar de ser natural, a tensão pode ser amenizada. ''Todos, necessariamente, já realizaram os mesmos exercícios e manobras durante as aulas práticas no mesmo lugar onde é efetuado o exame. Na verdade, o nervosismo conta apenas 20%. O restante é a aplicação do candidato'', afirma Hermisval Suensom Lagoeiro, examinador do Detran. Segundo Lagoeiro, muitas regras antigas foram eliminadas justamente para reduzir a pressão em cima dos candidatos. ''Não usamos mais farda, não há mais pegadinhas e conversamos bastante com os candidatos'', diz.
Após toda a tensão, no final da manhã no pátio da Ciretran, sobra no ar um misto de alegria e decepção. ''Algumas meninas choram e alguns meninos xingam quando não conseguem efetuar a manobra e são reprovados. Mas é normal. Para aqueles que não conseguem é preciso entender que haverá outra opotunidade e que não é o fim do mundo'', diz a instrutora Priscila Fernandes.

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