O setor de autopeças vai apresentar ao governo federal, nesta semana, uma proposta para facilitar a compra de veículos pela população de baixa renda. A idéia, que criaria mecanismos para permitir a aquisição do bem por meio da isenção de impostos, tem o objetivo de ativar a capacidade instalada da indústria automotiva, cuja ociosidade é de quase 40%. Em contrapartida, o setor assumiria o compromisso de contratar trabalhadores.
O ‘‘Programa Carro Próprio’’ contemplaria consumidores com renda familiar entre cinco e dez salários mínimos mensais que, ao adquirir Letras do Tesouro Nacional, seriam beneficiados pela isenção dos impostos federais incidentes sobre os veículos, tais como IPI, PIS e Cofins, que correspondem a mais de 20% do valor de um carro ‘‘popular’’.
Segundo o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Paulo Butori, o consumidor desembolsaria uma prestação média de R$ 179 durante 36 meses - levando-se em conta um veículo com preço de R$ 15 mil.
Depois desse período, ele poderia resgatar o título e ainda receberia um certificado, uma espécie de bônus, que lhe daria direito a adquirir o carro numa concessionária sem pagar os impostos federais. O valor restante para a compra do carro - de cerca de 50% - poderia ser financiado pelo cliente por um banco de montadora ou instituição financeira independente.
Para Butori, o governo seria beneficiado porque compensaria a renúncia fiscal com o aumento do fluxo de caixa. ‘‘Além disso, não teria de pagar juros para captar o dinheiro no mercado’’, observou.
De acordo com os cálculos do Sindipeças, a proposta atinge um mercado de 8,2 milhões de potenciais compradores que hoje não têm acesso ao carro próprio.

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