O baixo índice de interdição de postos de bandeira se dá em função de programas de certificação de qualidade e fidelidade. Na verdade, apenas a bandeira BR, que é da Petrobras, desenvolveu sistema de fiscalização deste tipo, batizado ''De olho no combustível''.
A reportagem da FOLHA acompanhou uma vistoria coordenada por Paulo Benvenutti, gestor da iniciativa no Paraná. Ele detalhou o processo de rastreamento de indícios que apontam a procedência do combustível. A maneira mais simples de encontrar fraudes é por meio de notas fiscais. ''Faço um levantamento das compras dos últimos meses para ver se o posto não comprou combustível de outro fornecedor. Tudo isso para saber se o posto é fiel e não comercializa produtos de outras companhias'', argumenta.
Benvenutti prefere não mencionar os nomes de postos BR flagrados vendendo combustível de origem duvidosa. Há um ano atuando no Paraná, teve clientes suspeitos de injetar álcool na gasolina. ''Isso foi no começo do ano e até agora não voltei a certificá-lo. Ainda não sentimos firmeza no trato. Vai demorar para ser outra vez certificado'', conta, lembrando que nesse caso o posto será vistoriado com mais rigor e frequência.
Caso apresente problemas financeiros, ele ressalta que além de medidas de ordem judicial o estabelecimento passará por um processo de retirada da bandeira do posto dentro da Petrobras.
Há um ano como gestor no Paraná, ele encontra falhas no combustível na maioria das vezes de ordem operacional. Ele cita problemas estruturais e a falta de manutenção das bombas como os mais corriqueiros. ''O combustível em si chega íntegro. Os problemas ocorrem na hora do manuseio. A falta de drenagem da água estimula a formação de microorganismos e, consequentemente, a borra. É isso que encontro, mas é praticamente zero no Paraná. O consumidor paranaense é criterioso com a qualidade'', arremata. (R.O.)

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