Produção cai devido à falta de peças
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de agosto de 1998
Agência Folha 
A General Motors, em São José dos Campos (97 km de São Paulo), está reduzindo o ritmo de produção e montando veículos incompletos devido à falta de peças importadas. A unidade produz o Corsa, as picapes S-10 e Blazer e os caminhões GMC.
A assessoria da empresa confirmou quarta-feira que a greve - suspensa naquele dia - dos operários portuários no porto de Santos (SP) e a operação-padrão dos auditores e técnicos da Receita Federal está afetando a produção, mas não divulgou qual o percentual de queda e as linhas afetadas. O Sindicato dos Metalúrgicos de São José informou que, desde o início da semana, foram produzidos 832 Corsas incompletos.
Uma das peças que está faltando é um sensor da injeção de gasolina, importado dos Estados Unidos. De acordo com o sindicato, na linha dos caminhões normalmente são fabricadas seis unidades por hora, mas, desde ontem, a fábrica passou a produzir duas no mesmo período.
A GM importa também os motores das picapes S-10 e Blazer, que há dois meses já tiveram o ritmo de produção reduzido com a greve dos trabalhadores da unidade de Flint, em Michigan (EUA). Um funcionário do setor de produção da GM, que se identificou como Alberto, informou que está faltando também uma das principais peças responsáveis pelo funcionamento do motor do Corsa. Caso essa situação continue, haverá mais férias coletivas porque a empresa não tem estoque das peças que estão faltando, disse o diretor do sindicato, Lauro Silva.
A assessoria de imprensa da GM informou que a empresa não vai comentar os números apresentados pelo sindicato. Segundo o órgão, houve uma redução do ritmo de produção na fábrica, mas a empresa também não vai revelar dados sobre o assunto.
De acordo com o diretor do sindicato, os funcionários da linha do Corsa podem ser deslocados para outras áreas com o objetivo de montar as peças que estão faltando nos motores. Isso vai dar um grande trabalho e vai atrasar ainda mais as entregas dos veículos, disse. Para o sindicalista, o processo de produção conhecido como just in time, no qual a empresa não mantém estoques de peças, está expondo a fragilidade do sistema. A GM está mostrando sua fragilidade. Qualquer movimento externo prejudica sua produção, disse.


