Com a mesma eficiência que o projetou na Audi alemã, o engenheiro austríaco Herbert Demel, de 46 anos, atual presidente da Volkswagen do Brasil, cumpre há três anos um desafio que ultrapassa o costado da Serra do Mar, em São Bernardo do Campo, onde está o alto comando da Volkswagen na América do Sul.
Demel credencia-se para desembarcar em Wolfsburg, na vasta planície em que se espalha, desde os anos 30, o QG do quarto maior grupo automobilístico do mundo. O executivo acaba de renovar seu contrato por mais dois anos no Brasil, suficientes para coincidir com a sucessão de Ferdinand Piech no comando da Volks. Até o fim de 2001, o legendário sobrinho de Ferdinand Porsche, criador do Fusca, vai aposentar-se.
Boatos que surgiram há alguns meses apontaram Demel como muito próximo do posto de número 1 na também alemã Robert Bosch, do setor de autopeças. Na Volks, Demel tem fortes concorrentes, mas continua candidatíssimo à presidência do grupo. Só que nesse terreno impreciso, o engenheiro se traveste de político mineiro e dissimula. ‘‘O conselho mundial do grupo está discutindo isso e nunca se sabe o que será decidido’’, diz. Mas dá uma dica: ‘‘Cinco anos é um tempo razoável para se ficar numa empresa.’’
No pouco menos de dois anos que ainda lhe faltam ao volante da Volkswagen do Brasil, Demel tem como principal objetivo lançar o projeto PQ-24, uma família de veículos programada para substituir o Gol. Embora artilheiro em vendas, o Gol não joga na seleção dos chamados carros mundiais.
Desde julho de 1997, quando assumiu a segunda maior filial do grupo, Demel já cumpriu boa parte da missão que recebeu da matriz. Está concluindo a total reformulação da fábrica da via Anchieta, um dos símbolos da industrialização brasileira, contemporânea de JK e da bossa nova, mas ultrapassada para os padrões atuais, baseados na produção enxuta (lean production). Conhecida como ‘‘Cidade Volkswagen’’, a fábrica do ABC paulista ficará um terço mais enxuta em tamanho.

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