Presidente da Ford diz que preços dos carros vão subir
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de novembro de 1998
Agência Folha 
O presidente da Ford no Brasil, Ivan Fonseca e Silva, disse que o preço dos carros vai subir de 5% a 6%, a partir do início de janeiro próximo, devido ao repasse do aumento de impostos que será feito pelas montadoras e distribuidores. Ele declarou que a carga de impostos sobre os carros, já escorchante, ficará inacreditável e determinará grandes aumentos no preço do produto. Silva disse que a indústria automobilística terá de repassar aumento de IPI e Cofins.
A carga tributária atual, que equivale a 27% do preço final de um carro popular, por exemplo, será elevada para 33%, se a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) não conseguir sucesso em uma negociação com o governo para reduzir os impostos. O presidente da Ford disse que a hora de comprar é agora, pois as promoções, que facilitam a aquisição de carros, são temporárias e terminarão em breve.
A indústria automobilística, segundo ele, está vivendo um momento de caos absoluto em função do agravamento da situação econômica e do arrocho insuportável dos impostos.
O mercado interno sofreu uma queda de 40% entre setembro de 1997 e outubro passado. Os estoques da Ford equivalem a 26 dias. Estamos trabalhando em um turno. Antes, fizemos férias coletivas e períodos de licença remunerada. Silva disse ser provável uma parada na produção entre o Natal e o Ano Novo, seguindo uma tradição.
A meta de exportar US$ 1 bilhão este ano não será atingida pela Ford. O presidente da empresa disse que as vendas externas ficarão entre 5% e 10% abaixo dos US$ 950 milhões registrados no ano passado, quando a Ford foi a montadora que mais exportou.
Exportação sempre será uma saída, mas enfrentamos o problema dos custos brasileiros. Os produtos da indústria não são tão competitivos quanto gostaríamos. Os mercados de exportação também estão sofrendo com a recessão internacional, disse ele.


