Prepare-se para ligar o carro na tomada
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domingo, 12 de janeiro de 2014
Cecília França<br> Reportagem Local 
Vários veículos pintados de verde circulam pelas ruas sem emitir qualquer ruído. Param em pontos de abastecimento e da tampa do tanque de combustível sai uma tomada, que é ligada na energia para "abastecer" o veículo. Lá, ele fica por algumas horas para, depois, rodar outros 120 quilômetros ininterruptos. Um cenário do futuro? Parece, mas é assim dentro da Usina Hidrelétrica de Itaipu, em Foz do Iguaçu, onde funciona o Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Montagem de Veículos Elétricos (CPDM-VE).
O projeto, iniciado em 2006 em parceria com a suíça KWO Grimselstrom e tendo a Fiat como montadora oficial, já criou protótipos de pelo menos quatro veículos carregados a bateria, sendo o primeiro deles o Palio Weekend, do qual foram produzidas 66 unidades, marcando o lançamento de veículos do tipo no país. É ele que circula pelas ruas da usina e de outras cidades, nas frotas de empresas parceiras no Recife, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, no Arquipélago de Fernando de Noronha (PE), além de ser o carro oficial da Prefeitura de Búzios (RJ).
No entanto, ainda não passa de pesquisa. Não há previsão para que os carros elétricos cheguem ao mercado brasileiro em escala, para o consumidor comum. Atualmente, além do Palio, podem ser encontrados circulando no país apenas o Nissan Leaf, que compõe o Projeto Táxi Elétrico de São Paulo e também não é oferecido nas lojas da marca. De acordo com a Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a participação dos elétricos no mercado nacional não saiu de zero por cento. Em 2012, foram vendidas 117 unidades e, em 2013, 491, incluindo híbridos.
Mas por que ainda é inviável comercializar veículos elétricos no Brasil? "Os principais desafios são o custo elevado do veículo devido aos componentes, que ainda são importados, e a falta de infraestrutura urbana para a recarga. Estamos defendendo a nacionalização de componentes, infraestrutura urbana e política de incentivos", explica o supervisor de Veículos Especiais da Fiat, Leonardo Cavaliere.
Incentivos
O engenheiro responsável pelo Projeto Veículo Elétrico, Celso Novais, relata que Estados Unidos e Europa já possuem políticas consistentes de incentivo ao uso de veículos elétricos. Mesmo custando entre 30% e 40% mais que os convencionais, lá os governos criam condições para a venda, como isenções de impostos para as montadoras e do equivalente do nosso IPVA para os consumidores.
"É o veículo do futuro, que já chegou em alguns lugares, mas ainda não aqui. Em Portugal, por exemplo, já existem 2 mil eletropostos de abastecimento de elétricos em 25 cidades, o mesmo acontece na Alemanha", compara.
No que se refere à política brasileira de incentivos, a Anfavea vem defendendo, junto ao governo federal, alíquota zero de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os veículos elétricos importados, atualmente taxados em salgados 25%. Quanto ao barateamento da produção - e, consequentemente do preço de comercialização o projeto tocado na Itaipu está investindo pesado na nacionalização dos componentes dos veículos. De acordo com o engenheiro responsável, cerca de 70% são importados e, desde que as pesquisas começaram, já houve avanços.
"Quando iniciamos, o Brasil não tinha nem tecnologia para montar carros elétricos. Buscamos known how e nos associamos a vários produtores de componentes do país para produzir a versão nacional. A produção em escala industrial ainda não existe no país, mas ao longo de 2014 esperamos conseguir substituir todos os componentes de um veículo, o Twisy, em parceria com a Renault", calcula.
Protótipos
Novais explica que os veículos chegam à usina semidesmontados e lá passam pelas substituições de motor e de componentes nacionais. Além do Palio Weekend, o projeto já fez um caminhão em parceria com a Iveco e um Jipe com a Agrale. Também está sendo produzido um ônibus elétrico. Aliás, o transporte coletivo pode ser um dos meios de entrada dos veículos elétricos no mercado brasileiro, na opinião do engenheiro.
"Especialmente em grandes centros, onde há grande número de veículos e muito barulho, seria extremamente positivo, somando o benefício de não fazer ruído", avalia. Na estimativa de Novais,
dentro de um ou dois anos veículos elétricos devem começar a ser usados no Brasil. "Assim que cair o preço, como faz bem para o meio ambiente, não tem porque ele não dominar o mercado", acredita.
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