''No começo o recall era utilizado como uma ferramenta de marketing, para mostrar que as empresas eram responsáveis''. Assim define Francisco Satkunas, do SAE - Brasil, sobre a origem do recall que remonta a década de 80 nos Estados Unidos. Naquela época os volumes eram inexpressivos e não havia legislação que obrigava as montadoras a reparar danos de veículos que chegavam ao mercado do defeito de fabricação.
Dentre as justificativas, Satkunas acredita que a prática do recall também está ligada a atual conjuntura do mercado automobilístico que exige a cada dia um número maior de lançamentos em um curto período de tempo. ''Hoje tem até Ferrari e Volvo passado por recall'', justifica.
''Os departamentos de engenharia acabam encurtando etapas de testes. Como o tempo para liberar o carro para os consumidores diminui, acabam esquecendo de focar em detalhes fundamentais. Isso coloca em risco a integridade física dos passageiros. Mas o problema maior ocorre na fase dos testes'', explica.
Ele observa esse aumento na velocidade do lançamento de novidades no Salão do Automóvel, que para este ano promete cerca de 500 veículos diferentes em fase de pré-lançamento e lançamento. ''Isso faz com que ninguém queira perder a corrida e pode influenciar na qualidade'', avalia. (R.O.)

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