Preferência pelo seminovo
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domingo, 07 de dezembro de 2014
Marcos Martins<br>Especial para a FOLHA 
O administrador de empresas Alexandre Ribeiro, de 52 anos, já teve carro zero quilômetro. Foi apenas um e só. Outros não vieram não por falta de oportunidade, mas sim de escolha. "Comprei um Del Rey zero quilômetro em 1987. Era completinho, bonito, só que não me adaptei muito ao carro. Fui vender seis meses depois e a desvalorização foi grande, ainda mais naquela época de inflação alta. Acho que fiquei traumatizado", brinca.
De lá pra cá, todas as vezes que ele foi trocar de carro optou por um seminovo. "O mercado é implacável. O carro pode ter um mês de uso, mal ter rodado, mas o que está na concessionária vale uns 10% a mais. Para quem demora a economizar antes de comprar um produto, esse valor faz falta. O carro zero tem todo um charme, mas ganhar dinheiro é cada vez difícil. Prefiro comprar um carro com pouco uso e investir esse dinheiro economizado em outras coisas", justifica.
Consumidores com o perfil de Ribeiro são cada vez mais comuns. De acordo com o vendedor da Florença Seminovos, Jesuel Filho, a fuga da depreciação é a referência do mercado. "O cliente quer escapar disso, além de buscar uma entrada mais baixa ou uma parcela em conta. Sem falar nas opções. A variedade é maior", avalia.
Os carros populares, de até R$ 30 mil, são os mais vendidos. E os modelos completos têm cada vez mais saída. "O cliente quer vidro elétrico, travas, alarme e direção hidráulica. Viraram itens básicos. Quando um veículo completo não cabe no bolso, pelo menos a direção hidráulica o comprador exige", explica.
Além da economia no valor pago cerca de R$ 12 mil a menos o menor preço do seguro foi um dos motivos apontados pelo contato comercial Crystiano Cândido como vantajosos para a escolha de um seminovo. "Estimo uns 20% a mais de economia, um número bem importante", avalia. Outro ponto positivo, segundo ele, foi a facilidade no financiamento. "Houve menos burocracia e a aprovação de crédito foi mais rápida", conta.
Mas há algumas desvantagens também. A garantia menor em relação a um carro zero entra na lista. "Só tive garantia de três meses para problemas no motor, portanto se houver algo elétrico, por exemplo, vou ter que arcar", lamenta. A próxima troca de carro ainda não está programada, mas Cândido já avalia o que vai nortear a decisão. "Se for um modelo acima do meu, vou optar por um seminovo, já que devido à depreciação posso escolher um mais completo", revela.
Para o corretor automotivo Ivan Cerqueira, o provável aumento de impostos em 2015 e o difícil momento da economia no País devem trazer mais clientes para o setor de seminovos. "É aquele cliente que vai buscar um modelo mais barato e conseguir um dinheiro na troca ou quem prefere negociar um veículo completo à vista do que financiar, já que a instabilidade econômica dificulta uma previsão mais precisa. O consumidor está cada vez mais consciente e isso fortalece nosso setor", opina.


