São Paulo - Depois de registrar em 2012 o sexto recorde seguido em vendas, o ano começa com reajuste nos preços dos carros novos. Além do repasse do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) - cuja alíquota passa a subir gradualmente -, algumas marcas vão reajustar as tabelas com a justificativa de "realinhamento", ou seja, recomposição de custos.
Como a maioria das concessionárias tem estoques de carros faturados no ano passado, o consumidor ainda vai encontrar modelos com preços sem reajuste ao longo das próximas semanas. Revendas das quatro maiores fabricantes (Fiat, Volkswagen, GM e Ford) consultados nesta quarta-feira informaram que seus estoques variam de dez a 30 dias.
Já os automóveis que forem faturados a partir desta semana vêm com IPI maior. Carros 1.0, que estavam com alíquota zero, passam a recolher 2%. Aqueles com motor entre 1.1 e 2.0 flex pagam 7% (ante 5,5% até dezembro) e as versões a gasolina recolhem 8% (ante 6,5%).
Segundo concessionários ouvidos pela reportagem, além do IPI, a Volkswagen informou que deve reajustar sua tabela em até 2%. Para um modelo Fox que custa R$ 34 mil, por exemplo, só o repasse do IPI representa alta de R$ 680.
Concessionários Fiat também esperam aumento neste mês, mas ainda não têm índices definidos. Os importados Freemont (utilitário-esportivo) e 500 (compacto premium) tiveram os preços reajustados em 1% no fim de dezembro.
Lojistas da General Motors e da Ford aguardam comunicado das montadoras para os próximos dias. No ano passado, o reajuste médio dos preços dos carros zero quilômetro ficou abaixo da inflação.
Em dezembro, as vendas de veículos novos somaram 359,4 mil unidades - segundo melhor resultado para o mês, atrás de 2010, com 381,5 mil unidades. O resultado é 15,2% a mais que o de novembro.
No ano todo foram comercializados 3,8 milhões de veículos, incluindo caminhões e ônibus, segundo fontes do mercado. O resultado é 4,65% maior que o de 2011 e marca novo recorde para o setor.
Para este ano, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) projeta novo aumento nas vendas, de 3,5% a 4,5%, com números entre 3,94 e 3,98 milhões de unidades.
No início de 2012, a Anfavea projetou aumento de 4% a 5% nas vendas totais do ano. Em dezembro, o presidente da entidade, Cledorvino Belini, estimou alta de 4,9%. Na ocasião, o governo ainda não havia anunciado a manutenção do corte do IPI, ainda que não integral. O imposto permaneceu reduzido durante sete meses.
Entre abril e junho, a alíquota volta a subir para 3,5% para carros 1.0, para 9% para modelos 1.1 a 2.0 flex e para 10% naqueles a gasolina. Em julho, o IPI volta a ser cobrado integralmente: 7% para os 1.0 e 11% e 13% para aqueles até 2.0 flex e a gasolina, respectivamente.

mockup