A teoria dos carros flexíveis é simples: se o litro do álcool custar até 70% do valor da gasolina, é mais vantajoso utilizar o derivado de cana para movimentar o motor. Já se o preço estiver acima de 70%, abastecer com gasolina é economicamente mais viável.
Até aí tudo bem. Mas, com o preço do álcool nas alturas - devido à entressafra e ao aumento do consumo - muitos consumidores estão questionando a vantagem de ter um automóvel flex na garagem.
Vitor Gomes de Almeida, agricultor londrinense, é um dos que reclamam da eficiência dos modelos bicombustíveis. ''Já tive uma Parati 1.6 a gasolina e um Gol 1.6 a álcool. Agora, tenho esta Saveiro 1.6 Flex. Senti uma perda no desempenho em relação ao modelo a gasolina e um consumo maior quando uso somente álcool'', diz.
Para ele, o que valia a pena era a diferença do preço do álcool, que estava bem mais barato. ''Quando o litro do álcool estava a R$ 0,87 a gente dava risada à toa. Agora, fiquei no prejuízo, pois com somente álcool no tanque, a Saveiro faz uma média de 7 km/l na cidade. Antes, com a Gol, a média era maior, de 10 km/l'', avalia
Apesar desta temporária 'perda', Almeida aprova os carros flex. ''É justamente esta flexibilidade, de poder escolher o que é melhor e mais barato, que o carro bicombustível vale a pena. O que acho que as montadoras deveriam fazer é apenas melhorar a eficiência'', resume o agricultor.
A tendência em evoluir parece ser o caminho futuro. Segundo os engenheiros, a tecnologia bicombustível proporcionou um novo parâmetro na história do automóvel no Brasil. A liberdade de escolher qual o combustível a ser utilizado, é uma conquista história e que passou a ser disputada e requisitada por europeus, americanos e japoneses - exímios nas tecnologias automotivas.
Porém, o grande problema do carro flex é a perda de eficiência do motor, ao se fazer um ajuste intermediário para se queimar ao mesmo tempo álcool e gasolina. Devido as taxas de compressão dos motores serem um misto entre os dois combustíveis, na maioria dos casos, o carro flex não chega a ser tão econômico como um carro a gasolina e nem oferece tanta potência como um motor a álcool, tornando-se beberrão com a gasolina e não tendo tanto desempenho com o álcool.
Roberto Stein, diretor de Engenharia da Delphi para América do Sul, discorda do fato. ''Com relação à gasolina, alguns motores bicombustível apresentam-se mais econômicos que os movidos exclusivamente a gasolina. Com relação ao álcool, o torque e a potência não são ótimos porque existe um compromisso na taxa de compressão do motor'', afirma.
Porém, mesmo com essa 'perda', vale a pena salientar que os proprietários de veículos flex não ficam no prejuízo. Isso porque a alta no álcool é temporária e se a avaliação do custo por quilômetro rodado abraanger um período maior, um ano, por exemplo, o álcool continua a ser vantajoso. Neste exato momento, com o litro do álcool a R$ 2,08 - 77% do preço da gasolina (R$ 2,68), o derivado da cana deixa de ser vantajoso.
O tempo de vida útil de um carro flex também é outra questão levantada pelos consumidores. Muitos motoristas acreditam que o motor bicombustível não dure o mesmo que um motor a gasolina, devido à corrosividade do álcool. Segundo Marcelo Brandão, chefe de engenharia de aplicação dos sistemas de injeção da Bosch, trata-se de um mito. ''O veículo flex-fuel, assim como os seus componentes, são projetados e testados para atenderem às mesmas especificações e requisitos de durabilidade tanto no uso contínuo com álcool combustível, quanto para uso contínuo com gasolina. O tempo de vida útil é o mesmo de um veículo original a gasolina'', garante o engenheiro.
* Leia mais sobre os carros flex na página 2

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