Manobras que encantam visualmente, todas realizadas a bordo de motocicletas preparadas: essa é a proposta da modalidade conhecida mundialmente como Wheeling. Tamanha a sua popularidade, o esporte possui competições nacionais e internacionais, mas em Londrina, ainda procura seu espaço.
Estima-se que os primeiros passos da modalidade foram dados por volta dos anos 70, nos Estados Unidos. Já no Brasil, os primeiros aventureiros surgiram cerca de duas décadas depois.
Praticante há 12 anos, Eduardo da Costa Mendonça explica que a modalidade é dividida em diversas categorias, que levam em consideração desde a cilindrada da motocicleta até os tipos de manobras que serão permitidas na pista. Em geral, segundo ele, são atribuidos pontos a cada feito do piloto. ''Há um tempo determinado para cada apresentação e são avaliados o grau de dificuldade de cada manobra executada e a qualidade com que o piloto as realiza.''
Entre as manobras mais comuns estão borrachão, que consiste em manter o atrito da roda traseira e o chão, no hands, empinar e controlar a moto sem as mãos, e zerinho, rodar em círculo com a motocicleta. ''O wheeling não exige velocidade, mas o piloto precisa ter muita técnica e equilíbrio'', salienta Mendonça.
Mecânico, ele aconselha quem deseja começar a praticar o esporte a procurar aprender sobre as peças existentes em uma motocicleta. ''O piloto precisa entender sua moto, porque na maioria das vezes, ele é seu próprio mecânico'', indica.
Também piloto, já com oito anos de prática, Edvaldo Araujo do Amaral avisa que para realizar as manobras, as motocicletas precisam de algumas alterações, como a substituição da coroa, a instalação e a regulagem do freios, mais pontentes que os freios convencionais, e um suporte traseiro, entre outras peças. ''A moto é praticamente toda preparada para esse tipo de competição e conforme se evolui no esporte, se melhora o equipamento e até se troca de moto'', conta.
Outra dica para iniciantes diz respeito ao equipamento. De acordo com Amaral, o uso de capacete, luvas, joelheiras e uma calça de lona é imprescindível. Em competições oficiais é exigido ainda o uso de colete especial para a proteção da coluna. Com muito treino e paciência, Amaral aponta que em três meses um iniciante já poderá arriscar suas primeiras manobras.
Os pilotos alegam que são realizados, em média, dois eventos de wheeling na cidade anualmente, mas reclamam da falta de apoio para as competições. ''O apoio aqui é complicado, não há espaço adequado para treino e para realizar na rua acabamos esbarrando na burocracia, mas quando acontecem os eventos, a presença do público costuma ser excelente'', garante Mendonça. ''Se tivéssemos um lugar para treinar poderíamos desenvolver projetos e quem sabe representar a região em competições maiores'', completa Amaral.
Membros da equipe Vertical Moto Show, que reúne pilotos de Londrina e Cambé (Norte), os dois sonham com mudanças e reconhecimento. ''Esperamos um dia criar uma associação e estamos começando um projeto social em Cambé, quem sabe com isso a modalidade não acaba crescendo'', vislumbram.

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