Com sorriso de orelha a orelha, Carlos Alberto de Marco Migliorini, de Arapongas, não contém a felicidade quando fala do prêmio que conquistou ao ganhar o título de ''Caminhoneiro do Ano'', em evento promovido pela Caravana Siga Bem Caminhoneiro.
Concorrendo com 25 mil companheiros de boléia de todo o Brasil, Carlos Alberto ganhou um Ford Cargo 2422, no valor de R$ 138 mil. ''Pretendo colocar para rodar, porque a estrada é minha vida'', disse o norte-paranaense, de 41 anos, casado e pai de dois filhos menores.
Antes de chegar à fase final, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, os participantes se submeteram a uma série de testes práticos e teóricos que envolviam desde legislação de trânsito, proteção à infância, até práticas de condução veicular e conservação de veículos e estradas.
Na prova final foram realizados novos testes teóricos e práticos, que avaliaram a técnica, dirigibilidade, segurança, respeito às regras de trânsito e conhecimentos de manutenção veicular.
Carlos Alberto foi o participante que somou mais pontos nas duas provas. Na estrada há 20 anos, ele transporta móveis de Arapongas para outras cidades do Paraná e São Paulo. A paixão pela profissão herdou do pai, Luiz José Migliorini, que está na estrada desde 1969.
Nascido e criado praticamente dentro de um caminhão, Carlos Alberto chegou a entrar na Universidade. Pensavam em fazer Direito, mas acabou optando por Ciências Contábeis, que não chegou a concluir. Precisava trabalhar para sustentar a família, e resolveu ser caminhoneiro como o pai. ''Sem a estrada, eu me sinto um peixe fora d'água'', contou o vencedor.
Ele tem um Volkswagen 16-170, ano 1995. ''Agora, com o caminhão novo vai ser bem melhor'', falou sem esconder o sorriso de satisfação. Até na hora de contar as dificuldades da estrada, Carlos Alberto mostra bom humor. ''Apesar das dificuldades, estamos sobrevivendo, sempre abençoado por Deus. Está complicado, com frete baixo e combustível alto, mas parar é pior.''
Incentivado por amigos, ele decidiu participar da Caravana Siga Bem Caminhoneiro, em fevereiro, quando o evento passou por Maringá. ''Foi a primeira vez e já tive a graça de Deus de ficar em primeiro lugar. Nem acreditava, os concorrentes eram muito fortes. Isso foi por Deus.''
A família que também estava em São Paulo ficou superfeliz. ''A gente que vive na estrada quase não tem tempo de ficar com a família, por isso, quando surge uma oportunidade dessa tem que aproveitar'', confessou Carlos Alberto. ''Recebemos um atendimento sensacional de todo o pessoal da Caravana Siga Bem Caminhoneiro. O tratamento foi de primeira qualidade.''
Dos 30 finalistas que participaram da Caravana, 18 eram do Paraná (oito, de Arapongas). ''A gente estava em quase 30% de araponguenses. Pelo menos um prêmio tinha que sair. Mas até o último instante, foi muito suspense, muito sigilo. O método de avaliação é bem sério. Além dos prêmios que ganhamos, também tivemos um aspecto educativo, aprendemos muita coisa.''
Os paranaenses Edeson Luis Buch e Carlos Alberto Gobbo (leia box), ambos de Curitiba, foram respectivamente os segundo e terceiro colocados. Eles ganharam um Ford Ka e uma moto Honda Bis. ''Todos os finalistas também podem ser considerados os melhores caminhoneiros do País, pois concorreram com milhares de outros profissionais'', comemorou Alexandre Côrte, diretor da Companhia Brasileira de Marketing (Cobram), coordenadora do projeto.

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