Potencial de crescimento da frota está no interior
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domingo, 16 de novembro de 2014
Cecília França<br>Reportagem Local 
Se hoje cerca de 40 milhões de veículos circulam pelas ruas brasileiras, esse número deve mais que dobrar e alcançar 95 milhões em 2034, ano em que as vendas do setor devem chegar a 7,4 milhões de unidades. Com isso, a taxa de motorização, que era de 5,1 pessoas por veículo em 2013, deve chegar a 2,4 daqui a 20 anos. A projeção foi apresentada pela Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) considerando algumas premissas, como o crescimento da população e do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no período.
Tomando como base o histórico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Anfavea projeta que a população brasileira deverá saltar dos 201 milhões de habitantes de 2013 para 226 milhões em 2034. O PIB, de acordo com a entidade, deverá passar dos US$ 2,243 bilhões do ano passado para US$ 4,036 bilhões daqui a 20 anos. Já o PIB per capita terá avanço de US$ 11,2 mil para US$ 17,9 mil. O estudo considera três cenários: otimista, básico e pessimista (veja info).
O presidente da Anfavea, Luiz Moan, afirma que o indutor de vendas de veículos será, exatamente, o aumento do PIB per capita, que possibilitará um crescimento médio do setor automotivo de 3,7% ao ano até 2034. Parece uma visão muito otimista para o atual momento do mercado, que registra queda nas vendas em relação a 2013.
"No curto prazo, o estudo está ajustado para as previsões atuais. Mas, no segundo semestre desse ano já estamos apresentando crescimento bastante significativo sobre o primeiro semestre; se nós, simplesmente, mantivermos esse nível de vendas em 2015, já estaremos crescendo", explica Moan.
A média de 2,4 pessoas por veículo, projetada em um cenário básico na Anfavea, está mais próxima das registradas na Europa Ocidental (1,7) e nos Estados Unidos (1,3). No entanto, as metrópoles brasileiras já parecem inchadas e enfrentam congestionamentos constantes. Como, então, aumentar a taxa de motorização sem provocar o caos? A resposta está no interior do País. Moan destaca que as vendas de veículos em São Paulo capital, por exemplo, aumentam em ritmo bem mais lento que nas cidades menores.
"No município de São Paulo, as vendas aumentaram só 6% em 2013 em relação a 2007, enquanto a média do Brasil foi de 50,3%. Essencialmente, o crescimento está indo para as cidades do interior", destaca. Segundo Moan, as cidades que apresentaram crescimento acima da média no Brasil foram as que têm até 500 mil habitantes. Aliás, nestas cidades reside nada menos que 70,3% da população brasileira.
"Nosso desejo é que essas cidades menores, médias, que vão crescer muito ainda, desenvolvam planos diretores ligados à mobilidade, para evitar o que acontece na cidade de São Paulo, onde, para construir uma estação de metrô, temos que desapropriar imóveis", enfatiza Moan.
Para o presidente da Anfavea, uma das maiores riquezas do Brasil continua sendo o grande mercado consumidor interno. "Somos um País com dimensões continentais e com uma população que cresce tanto em número quanto em renda. Não tenho dúvidas de que estes são alguns dados que chamam a atenção de grandes empresas, que atraem tantos investimentos para o Brasil e que nos dão a certeza de que o futuro é promissor", finaliza.


