Quando se fala em carros antigos e de coleções vem à mente Maverick, Impala, Galaxie 500, Ford Phaeton e uma infinidade de modelos que um dia foram símbolos de sofisticação. Mas os carros populares têm lugar garantido até no coração dos mais exigentes. Por incrível que pareça, o Chevette, a Belina, o Fusca e até a Variant são cativos na garagem de muitos
colecionadores.
  Em 1975, o Chevette entrou na coleção de Ademir Pauluki literalmente como um prêmio. No início da carreira, o oficial de justiça ganhou o veículo numa rifa de Natal que comprara de um amigo, em Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro). Por alguns anos foi o meio de transporte da família. Mas bastou a situação financeira melhorar para inaugurar a coleção de carros antigos do seu dono.
  ‘‘É como se fosse uma joia. Chevette igual a esse no Brasil é raro’’, garante o oficial de justiça que restaurou e transformou a preciosidade em placa preta. ‘‘A parte interna como banco e motor nunca foram refeitos. É tudo original. Se me oferecerem entre R$ 20 mil e R$ 30 mil não vendo. Você não vê Chevette nem Corcel inteiro andando pelas ruas. Normalmente esses modelos estão deteriorados’’,
argumenta.
  O colecionador acha difícil encontrar carros nacionais antigos em bom estado de conservação hoje em dia. ‘‘Quando encontra, podem valer mais que um importado antigo’’, sublinha. ‘‘É mais fácil para um colecionador restaurar um Impala do que um Chevette’’, compara, lembrando que a indústria automobilística nacional não fabrica peças de tais modelos há alguns anos.
  A Belina de Élcio Carbonieri também é do time dos antigos populares. Datada de 1972, possui rodas, tapeçaria, pintura e painel originais de fábrica. Certa vez quando andava de ônibus em Curitiba, viu o carro vermelho estacionado com uma placa de ‘‘vende-se’’ na janela. ‘‘Marquei o lugar e resolvi voltar para ver o preço’’, contou ele que pagou R$ 7 mil, na época. ‘‘Hoje vale uns
R$ 20 mil, mas não vendo’’, emendou.
  Ele teve outros quatro modelos antigos populares. Foram dois Fuscas, um 1963 e outro 1969, e duas Belinas – uma datada de 1977 e outra 1972, a única que restou na garagem. ‘‘Essa vou preservar por mais tempo. Quanto mais antigo e conservado, mais raro. Além disso, foi fabricada em menor quantidade que o Corcel. Ainda não vi mais antiga’’, defende.
  Sócio do Clube do Carro Antigo de Londrina, conta que o carro tem 38 anos e pode até se candidatar à chancela de placa preta. Em encontros grandes como o de Águas de Lindóia, no interior paulista, seo Élcio ainda não encontrou Belina mais antiga. ‘‘Igual essa, com frente ‘boca de sapo’ não tem. Ainda não achei
nas minhas andanças’’,
completou.
  O modelo está presente na vida de Carbonieri desde a época em que trabalhava como vendedor de carros numa concessionária já extinta da cidade. Ele gostava porque é confortável e tem um bagageiro grande. Antes da Belina vermelha, outro carro semelhante na cor azul ocupava lugar na garagem. Datada de 1977, vendeu para um interessado de Fortaleza, que encontrou o carro pela internet.
  ‘‘É uma pessoa que tem amigos em Londrina e Curitiba. Na verdade, um rapaz comprou porque queria presenter o pai. A negociação durou uns 30 dias. Um parente deles, que tem uma transportadora em Curitiba veio até a cidade e levou dirigindo. Lá ela (Belina) embarcou na carreta de uma transportadora e foi embora’’, finalizou.

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