Populares, mas ainda originais
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sábado, 31 de julho de 2010
Renato Oliveira<br>Reportagem Local 
Quando se fala em carros antigos e de coleções vem à mente Maverick, Impala, Galaxie 500, Ford Phaeton e uma infinidade de modelos que um dia foram símbolos de sofisticação. Mas os carros populares têm lugar garantido até no coração dos mais exigentes. Por incrível que pareça, o Chevette, a Belina, o Fusca e até a Variant são cativos na garagem de muitos
colecionadores.
Em 1975, o Chevette entrou na coleção de Ademir Pauluki literalmente como um prêmio. No início da carreira, o oficial de justiça ganhou o veículo numa rifa de Natal que comprara de um amigo, em Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro). Por alguns anos foi o meio de transporte da família. Mas bastou a situação financeira melhorar para inaugurar a coleção de carros antigos do seu dono.
É como se fosse uma joia. Chevette igual a esse no Brasil é raro, garante o oficial de justiça que restaurou e transformou a preciosidade em placa preta. A parte interna como banco e motor nunca foram refeitos. É tudo original. Se me oferecerem entre R$ 20 mil e R$ 30 mil não vendo. Você não vê Chevette nem Corcel inteiro andando pelas ruas. Normalmente esses modelos estão deteriorados,
argumenta.
O colecionador acha difícil encontrar carros nacionais antigos em bom estado de conservação hoje em dia. Quando encontra, podem valer mais que um importado antigo, sublinha. É mais fácil para um colecionador restaurar um Impala do que um Chevette, compara, lembrando que a indústria automobilística nacional não fabrica peças de tais modelos há alguns anos.
A Belina de Élcio Carbonieri também é do time dos antigos populares. Datada de 1972, possui rodas, tapeçaria, pintura e painel originais de fábrica. Certa vez quando andava de ônibus em Curitiba, viu o carro vermelho estacionado com uma placa de vende-se na janela. Marquei o lugar e resolvi voltar para ver o preço, contou ele que pagou R$ 7 mil, na época. Hoje vale uns
R$ 20 mil, mas não vendo, emendou.
Ele teve outros quatro modelos antigos populares. Foram dois Fuscas, um 1963 e outro 1969, e duas Belinas uma datada de 1977 e outra 1972, a única que restou na garagem. Essa vou preservar por mais tempo. Quanto mais antigo e conservado, mais raro. Além disso, foi fabricada em menor quantidade que o Corcel. Ainda não vi mais antiga, defende.
Sócio do Clube do Carro Antigo de Londrina, conta que o carro tem 38 anos e pode até se candidatar à chancela de placa preta. Em encontros grandes como o de Águas de Lindóia, no interior paulista, seo Élcio ainda não encontrou Belina mais antiga. Igual essa, com frente boca de sapo não tem. Ainda não achei
nas minhas andanças,
completou.
O modelo está presente na vida de Carbonieri desde a época em que trabalhava como vendedor de carros numa concessionária já extinta da cidade. Ele gostava porque é confortável e tem um bagageiro grande. Antes da Belina vermelha, outro carro semelhante na cor azul ocupava lugar na garagem. Datada de 1977, vendeu para um interessado de Fortaleza, que encontrou o carro pela internet.
É uma pessoa que tem amigos em Londrina e Curitiba. Na verdade, um rapaz comprou porque queria presenter o pai. A negociação durou uns 30 dias. Um parente deles, que tem uma transportadora em Curitiba veio até a cidade e levou dirigindo. Lá ela (Belina) embarcou na carreta de uma transportadora e foi embora, finalizou.


