DivulgaçãoGol 1.000 16 válvulas durante os últimos testes realizados pela fábrica Os modelos populares surgiram no país em 1990 e ajudaram a impulsionar as vendas do mercado brasileiro por seus preços mais baixos. E este era praticamente o único atrativo dos 1.0. Eles tinham acabamento bem inferior e comportamento moroso. Mas a concorrência foi se acirrando e, atualmente, os 1.0 já são bem mais modernos que os primeiros modelos do segmento. Depois da briga pelo visual e lista de equipamentos mais generosa, as montadoras investem agora na potência. A arma mais recente nesta luta são os propulsores multiválvulas, com a Volkswagen saindo na frente anunciando o primeiro 1.0 com motor multiválvulas: o Gol 1.000 16V.
Além da Volks, a Fiat também estuda o lançamento de um propulsor 16V para a versão popular do Palio. O recurso das multiválvulas no segmento surge para atender vários anseios: o marketing de modelo mais potente, o gosto dos brasileiros pela velocidade e, ainda, aproveitar o IPI menor dos carros 1.0.
O Gol 1000 com propulsor de 16 válvulas chega ao mercado no final do ano, já na linha 98. Baseado no atual motor Mi, o propulsor multiválvulas da Volks atinge a potência de 70 cv - 9 cv a mais do que o Palio 1.0, atualmente o mais potente do mercado - e o torque de 9,3 kgfm.
Com estes números, o novo motor deixará o Gol 1.000 com o título de popular mais potente do País. Assim, a Volks joga com os anseios dos motoristas brasileiros que gostam de carros nervosos. Por isso, além do problema da gasolina com menos octanagem no País, as marcas presentes no mercado não lançam modelos maiores que os compactos com motores com menos de 1.6 litro, como acontece na Europa. Os carros maiores com motores de baixa cilindrada têm desempenho muito fraco para os motoristas/pilotos brasileiros.
DivulgaçãoO motor 1.0 Mi da VW gera potência de 70 cavalos
Mas além da parte ligada ao marketing para fazer as vendas crescerem, o aumento da potência dos carros de 1.0 é um recurso que pode fazer as montadoras ampliarem suas margens de lucro e pode também condenar as versões intermediárias dos modelos compactos. Por pagar menos IPI, independentemente da potência que tenham, os carros populares podem ficar com motores com desempenho igual aos dos modelos 1.5 ou 1.6, mas com menos impostos.
Pelo atual regime automotivo brasileiro, os automóveis com motor de 1.000 cm3 são enquadrados na regulamentação dos carros populares, o que faz o IPI de 8% ser pago pela cilindrada do propulsor. Já os modelos com mais de 1.000 cm3 são taxados pela potência.
Um carro que desenvolve até 100 cv paga IPI de 25% se for a gasolina e 20% se for a álcool. Nos modelos com mais de 100 cv, o IPI passa para 30% nos movido a gasolina e 25% nos a álcool. A diferença de IPI, somada aos outros impostos comuns a todos os automóveis - ICMS, PIS e Confins -, tornam a participação dos impostos no preço dos populares ser bem menor do que nos outros carros. Segundo a Anfavea - Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores -, os tributos pagos pelas montadoras em um modelo 1.0 representa 23% de seu preço, enquanto em um automóvel de maior cilindrada não é menor do que 39% a 45%, se for a gasolina.
A brecha na lei, que observa só a cilindrada nos carros 1.0, permite que as montadoras diminuam seus impostos substituindo modelos 1.3, 1.5 ou 1.6 por populares com potência parecida. O ganho de potência do Corsa Wind de 50 cv para 60 cv, por exemplo, acabou com o Corsa 1.4, que teve o propulsor substituido para 1.6. E o motorzinho 1.0 16V da Volks é mais potente que o 1.3 do Fiesta, que tem 58 cv, e fica próxima dos 76 cv desenvolvidos pelo propulsor 1.5 do Palio EL, o que cria mais um adversário para estes modelos intermediários.

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