Mudar o comportamento no trânsito é a primeira medida de quem já foi multado e perdeu alguns pontos ou teve a carteira de motorista suspensa. Mesmo com o rigor do ''novo'' Código Nacional de Trânsito, que completou cinco anos de implantação em janeiro de 2003, as faltas no trânsito continam crescendo. Furar o sinal vermelho, andar sem o cinto de segurança ou sem o capacete estão entre as infrações mais comuns cometidas pelos motoristas. Muitas pessoas afirmam que o problema é a falta de fiscalização e organização, mas dirigir sem disciplina também causa diversos transtornos.
De acordo com a assessoria de imprensa do Detran, desde a implantação do Código Nacional de Trânsito em janeiro de 1998 até fevereiro de 2003, foram suspensas 91.488 carteiras de habilitação no Paraná. Dessas, 66.450 carteiras ainda estão em processos de suspensão - entre motoristas que receberam a notificação e não entregaram a CNH ao Detran, aqueles que já estão em regularização e aqueles que perderam diretamente a carteira. Em Londrina, foram suspensas 6.832 no mesmo período. Também de 1998 até agora, o número acidentes com vítimas pulou de 262.374 para 307.287 no Brasil, um aumento de 17%. A quantidade de mortos também não diminuiu, passando de 20.020 para 20.039.
As infrações e multas implicam em suspensão da carteira e exige que o motorista realize o curso de reciclagem do Departamento de Trânsito (Detran), que fiscaliza e controla a política de trânsito. Sem contar a parte financeira, pois as multas mexem no bolso do cidadão. A multa mais em conta, referente às infrações de natureza leve, é de R$ 53,20. Já as multas para as infrações gravíssimas, como embriaguez, pode custar R$ 950.
O motorista de caminhão, Osmar Antônio Wiedermann, 35 anos, levou duas multas por dirigir em alta velocidade na BR-369, próximo a Londrina: na primeira estava acima de 90km/h e da segunda vez passou dos 113 km/h. Por ser infração gravíssima, sua carteira foi suspensa e ele ainda teve que fazer o curso de reciclagem. ''No começo fiquei revoltado, mas depois foi bom, porque no curso aprendi, entre tantas coisas, a ser mais educado no trânsito'', contou. Wiedermann revelou que agora dirigi com muito mais cuidado, pois precisa da carteira de motorista para trabalhar. ''Eu não tive problemas na empresa, mas tive que pagar as multas e fiquei no prejuízo no período em que estava sem a habililitação'', lembrou.
No caso de Wiedermann ele teve sorte, já que em muitas vezes os motoristas infratores correm o risco de perder seus empregos. Na empresa de mudanças Gralha Azul, que conta com uma frota de nove caminhões, a fiscalização é bastante rigorosa. Se o motorista levar alguma multa, mas a carteira não for suspensa, ele continua trabalhando normalmente. ''Se ele começa a levar muitas multas de responsabilidade dele, pode até perder o emprego'', ressaltou o auxiliar de admnistração da empresa, Ricardo Faiçal.
Um outro ramo que sofre com as multas, são as locadoras de veículos. O gerente da Nortecar, Osni Moreira, explicou que todos os carros estão em nome da empresa. Quando um cliente solicita um veículo e leva alguma multa, a empresa identifica o locator e encaminha a multa ao cliente. ''Quem locou o carro paga pela infração e o mesmo ainda perde os pontos na carteira'', contou Moreira. Ele disse que a Nortecar possui uma frota pequena, apenas 30 carros, e os casos de multa não são comuns. No entanto, nas grandes locadoras o problema acontece com bastante frequência.

mockup