Somando as estaduais e federais, o Paraná tem 15.795 quilômetros de rodovia. Se todas fossem interligadas em linha reta, formariam uma estrada capaz de atravessar três vezes o Brasil de Sul a Norte. A distância, via rodoviária, de Chuí, no Rio Grande do Sul, até Oiapoque, no Amapá, é de 5.402 quilômetros.
Cortam o Paraná rodovias importantes, corredores de ligação dos demais estados da região Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com o restante do País. Há também a necessidade do escoamento das sempres grandiosas safras de grãos para o Porto de Paranaguá e o fluxo intenso de turistas e sacoleiros para o Paraguai via Foz do Iguaçu ou - com movimento cada vez mais intenso - Guaíra.
Do total de BRs e PRs que cruzam o Paraná, apenas 6,1%, ou 968 quilômetros, contam com duplicação.
Tudo isso indica que o terreno rodoviário do Estado é mais do que farto para acidentes - registrados diariamente e mais intensamente em feriadões como o que termina hoje - e para outro problema: crimes.
Com efetivo aquém do necessário, as polícias rodoviárias se desdobram para dar conta de fiscalizar, conscientizar motoristas, atender ocorrências de acidentes e fazer o patrulhamento ostensivo. A Polícia Rodoviária Federal (PRF), que cuida de 3,4 mil quilômetros de rodovia, conta hoje com aproximadamente 700 homens. A Polícia Rodoviária Estadual tem em torno de mil policiais para cuidar de 12.373 quilômetros de estradas.
Considerando que uma parte desses policiais executa serviço administrativo e que há a divisão de todo o efetivo em três turnos para o atendimento 24 horas, é inevitável concluir que falta gente.
Narcotraficantes usam as rodovias paranaenses como grandes corredores para espalhar drogas oriundas do Paraguai. Somente a Polícia Rodoviária Federal já apreendeu em 2011 (até a última quarta-feira) mais de quatro toneladas de maconha, crack e cocaína; além de 47 armas de fogo.
Assaltantes agem como verdadeiros ''piratas'' do asfalto. Assaltos a ônibus, principalmente àqueles que têm Foz do Iguaçu como destino, estão se tornando comuns. Na madrugada da última terça-feira, 19, dois ônibus de linha que seguiam para a cidade da fronteira foram assaltados na PR-444, entre Arapongas e Mandaguari (região Noroeste).
Na PR-317, que vai de Santo Inácio, no extremo Norte do Paraná, até Peabiru, na região de Campo Mourão, aconteceram três assaltos a ônibus entre os dias 29 de março e 11 de abril.
Recentemente, a FOLHA percorreu os 170 km da 317, entre o período do fim da tarde e da madrugada. Em diversos trechos, as condições para os bandidos atuarem são ótimas, com diversas estradas vicinais margeando a rodovia e apenas dois postos da Polícia Rodoviária. Contudo, encontramos quatro operações de fiscalização, com policiais na pista, ao longo do trajeto.
No trecho entre Santo Inácio e Nossa Senhora das Graças o trabalho de patrulhamento é feito pelo posto de Colorado, que fica na PR-463. O chefe do posto, sargento Valdir Antônio Miosso, é um dos poucos entrevistados com coragem para falar que faltam homens. A cada plantão, ele tem uma dupla de policiais para comandar. ''Não dá para dizer que nós, em dois, vamos resolver o problema. São sempre medidas paliativas'', comentou. Os demais policiais rodoviários militares abordados evitam tocar o assunto adiante se não for para falar ''em off''. ''É melhor você conversar com o comando'', esquivam-se.

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