Pneus reformados podem ser alternativa econômica
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sábado, 30 de julho de 2011
João Fortes<br> Reportagem Local 
Na hora de trocar os pneus do carro, economizar é a regra para muitos motoristas. Neste sentido, escolher um produto usado que passou por reforma pode ser a alternativa para gastar menos. Há duas opções disponíveis no mercado: os chamados pneus remold e os recauchutados.
De acordo com o proprietário da Recalon Pneus, que comercializa esses produtos, um pneu remold chega a custar entre 30% e 50% mais barato do que um pneu novo de marca nacional. ''O recauchutado sai mais barato que o remold, mas é pouca coisa, uns 10% de diferença'', diz Ideval Betetto.
Assim como o preço, a diferença entre remoldados e recauchutados também é pequena. ''No remold troca-se a banda de rodagem e laterais, já no recauchutado apenas a banda de rodagem'', explica Edison Bonifácio, professor do Departamento de Mecânica Automotiva do Senai, em Londrina.
O processo para reforma de um pneu consiste em várias etapas. A primeira - e talvez a mais importante - é a avaliação do produto usado. A carcaça é toda aproveitada e precisa estar em boas condições para não comprometer a segurança de quem está no carro. Alguns defeitos já descartam de imediato a reutilização do pneu. É o caso de bolhas laterais, deslocamento entre lonas, talão danificado, partes de aço aparecendo ou se o produto tiver passado por reparos de furos por mais de duas vezes.
Produção
Outro fator determinante é a idade do pneu. De acordo com a portaria 444 do Inmetro, pneus com data de fabricação superior a 7 anos não podem ser reformados. ''A gente examina um por um. Os que apresentam qualquer um desses defeitos ou passaram dos 7 anos não entram para a produção'', afirma Betetto.
Depois da aprovação, os pneus são raspados e lixados, e toda borracha velha é retirada. No caso dos remoldados, o trabalho também é feito nas laterais. Em seguida é realizada a colagem da borracha nova, com utilização de cola especial.
Alguns minutos depois a cola já está seca e o pneu segue para sua fase final de produção, quando é colocado em uma máquina de vulcanização. O equipamento funciona a uma temperatura de 152 graus e é responsável por fundir a carcaça com a borracha do pneu. Além disso, faz toda a moldagem dos sulcos e coloca as informações do produto. Ao contrário do que se pode pensar, não é a máquina que pressiona o pneu, mas sim o pneu que se expande e vai de encontro ao molde do aparelho.
''Dentro do pneu é colocado um saco de ar de 150 libras que possibilita esse trabalho de expansão'', explica o dono da Recalon. Finalizada a vulcanização, são retirados os chamados ''pelos'' do pneu. ''Isso evita aquaplanagens'', diz Betetto. Depois, o produto passa por mais uma revisão para, então, ser aprovado e disponibilizado para venda.
Vida útil
Instalados no carro, os pneus reformados têm uma vida útil que varia entre 20 e 25 mil quilômetros rodados. Durabilidade menor que a dos pneus novos, que geralmente rodam de 30 a 40 mil quilômetros. A diferença é uma das desvantagens apontadas por quem não recomenda o uso de pneus usados. ''É um custo-benefício baixo'', afirma Ricardo Grandizolli, vendedor da Campneus Pirelli.
A qualidade é outro fator questionado por quem defende o uso de pneus novos. ''Ao contrário das carcaças de pneus de caminhão, as de carro não foram feitas para ser reformadas. É possível ter problemas, como deslocamento de lona, vibração, bolhas, perda de estabilidade ou até estouro do pneu'', afirma Grandizolli. ''O índice de defeitos é muito grande nesses pneus'', ressalta Vanderley de Oliveira, gerente da BS Colway Londrina.
Por outro lado, quem comercializa os pneus reformados considera que se forem respeitadas as normas do Inmetro e tomados os devidos cuidados no momento da fabricação, remoldados ou recauchutados podem ser utilizados normalmente. ''Os pneus novos também podem ter problemas. A durabilidade varia muito de acordo com o uso, as condições da via e até mesmo do clima'', rebate Betetto.


