Pneu terá que ser recolhido
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sábado, 02 de março de 2002
Emerson Dias<br>Reportagem Local 
Agora é determinação legal: a indústria brasileira de pneu, cuja produção deve alcançar as 40 milhões de unidades este ano, terá que recolher do mercado parte dos pneus usada em todo o País. A intenção da lei 258/99 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) que apresentou metas para serem cumpridas a partir 2002 é proteger o meio ambiente, reduzir criadouros de mosquitos transmissores de doença e obrigar as empresas a garantir um fim definitivo a um dos piores lixos industriais do planeta.
Segundo informações da Associação Nacional das Indústrias de Pneumáticos (Anip), os associados já definiram algumas metas para garantir o recolhimento e a destruição de pelo menos 8 milhões de pneus (índice sobre a produção média). Para este ano, a lei prevê a reciclagem de um para cada quatro unidades. Para o ano que vem, a meta imposta será de um para dois (veja box sobre a resolução do Conama).
Entre os projetos apresentados pela Anip está a criação de centros de coleta. A Goodyear, uma das maiores empresas do setor e que este ano prevê uma produção estimada em 12,5 milhões de pneus, já iniciou a construção de uma central. A obra está sendo levantada em Jundiaí (SP) e deve ficar pronta dentro de dois meses. Até o final do ano, teremos outra central no interior de São Paulo e uma terceira funcionando no Nordeste, garantiu o diretor de Assuntos Corporativos, Luiz Carlos Martins, durante sua passagem por Londrina para divulgar o novo modelo da Goodyear.
Os centros de coleta servirão para picotar e prensar os resíduos. As máquinas que fazem este serviço, segundo o diretor, já estão sendo importadas pela empresa e custam perto de US$ 700 mil.
Outras duas alternativas já utilizadas pelas empresas nacionais devem ter sua abrangência ampliada este ano. A primeira é resultado de um convênio com a Petrobras, que garante a transformação de pneus em óleo combustível e gás, queimados na usinas de xisto da estatal. Outra opção é a queima dos pneus em fornos das indústrias de cimento. Graças ao convênio, a Petrobras utiliza um milhão de pneus, mas precisamos ampliar este número direcionando os usados para a segunda alternativa: a queima nas usinas produtoras de cimento, afirmou Martins.
Além de destruir totalmente os pneus (as fornalhas alcançam 1,4 mil graus) e soltar menos fumaça tóxica na atmosfera, a indústria ainda utiliza a cinzas como componente do produto primordial das construções. O aço que forma a estrutura dos pneumáticos garante boa parte do óxido de ferro usado no cimento.
Segundo ambientalistas, entre as quatro classificações toxicológicas da indústria mundial, os pneus integram a categoria dois (em primeiro lugar, estão os produtos químicos e elementos atômicos). Nos Estados Unidos, onde a produção chega a 250 milhões de unidades/ano, a destinação final dos usados vem sendo discutida desde a década de 70. Estamos elaborando projetos baseados em experiências que deram certo. Se conseguirmos, por exemplo, coletar boa parte dos pneus no Paraná e São Paulo (juntos, são responsáveis por 40% do mercado nacional), com certeza teremos excelentes resultados, comentou Martins


