Pneu não deve ser esquecido na revisão
PUBLICAÇÃO
domingo, 03 de dezembro de 2006
Da Redação 
Com a proximidade das festas de final de ano e de verão, muitas famílias começam a planejar suas viagens. Muitas delas, inclusive, lembram de realizar uma revisão no veículo checando óleo, freio, injeção eletrônica, filtro. Mas, raramente alguém lembra dos pneus.
Para ajudar o motorista, o Gerente Geral de Engenharia de Vendas da Bridgestone, José Carlos Quadrelli, conta os principais cuidados que o motorista deve ter com seus pneus.
Folha de Londrina - Como o motorista percebe que o pneu está ''careca'', ou seja, a profundidade do seu sulco não é mais segura?
José Carlos Quadrelli - O limite de segurança é de 1,6 mm de profundidade dos sulcos. Ou seja, em muitos casos, o pneu pode estar ''careca'', embora os sulcos ainda sejam visíveis. A profundidade mínima dos sulcos foi definida por órgãos reguladores internacionais e estabelece um padrão mínimo para que o pneu possa escoar a água quando roda em piso molhado. Caso o motorista não possua um medidor de profundidade de sulco, ele pode observar esta especificação por meio de pequenos ressaltos presentes na base dos sulcos, o TWI. Eu recomendo fortemente que todo usuário identifique a marca do TWI e passe a controlar o desgaste do pneu. Um pequeno cuidado como este poderá significar a diferença entre sofrer ou não um acidente.
Folha - Além de colocar a segurança do motorista em risco, trafegar com o pneu abaixo do limite de segurança pode causar outros riscos?
Quadrelli - Sim. A resolução do Contran 558/80 estabelece que trafegar com pneus abaixo do limite é ilegal. Com isso, o veículo pode ser aprendido.
Folha - Sabemos que a pressão do pneu é um fator importante para garantir sua vida útil. O que pode acontecer, caso o motorista trafegue com o pneu com baixa pressão?
Quadrelli - A baixa pressão é um dos principais inimigos do pneu. À medida que ela diminui, aumenta a temperatura interna do pneu, que pode chegar a valores críticos que provoquem a deterioração da estrutura do pneu e sua eventual falha. Além disso, ela causa diversos problemas como um rápido desgaste do pneu, já que os seus ombros passam a receber uma carga maior. Ocorre ainda um maior consumo de combustível, perda de estabilidade nas curvas, direção pesada e perda da capacidade de manejo.
Folha - E o excesso de pressão nos pneus, pode causar algum problema?
Quadrelli - As consequências do excesso de excesso de pressão são bem menores do que a falta de pressão, porém, podem causar desgaste mais acentuado no centro da rodagem, perda de estabilidade em curvas, rachaduras na base dos sulcos, maior propensão a estouros por impacto e maior facilidade de penetração de objetos.
Folha - E o rodízio de pneus? Ele é realmente importante?
Quadrelli - O rodízio de pneus tem por função equalizar o desgaste dos pneus e garantir uma vida longa e uniforme a eles. Ele deve ser realizado segundo a recomendação que consta no manual do veículo ou na falta desta a cada 8.000 quilômetros.
Folha - Caso o motorista não possa comprar quatro pneus novos, qual a recomendação a ser feita neste caso?
Quadrelli - Neste caso, a recomendação é que seja efetuada a troca de dois pneus e os mais novos devem ser instalados sempre no eixo traseiro, e não na frente como muitos pensam. Isto porque, o risco de um acidente pela perda de aderência dos pneus traseiros é sempre maior, visto que o veículo tende a perder a estabilidade, condição de mais difícil controle do que quando o pneu perde a aderência nos pneus dianteiros o que pode causar a perda momentânea de dirigibilidade.
Folha - O alinhamento e o balanceamento do pneu fazem parte da revisão de férias?
Quadrelli - Com toda a certeza. Além de evitarem um desgaste irregular dos pneus, eles garantem a estabilidade e melhor dirigibilidade do veículo. Juntamente com a calibragem, esses itens são fundamentais para a utilização segura e econômica dos pneus.
Folha - Outro fato comum quando as famílias vão viajar, é carregar o veículo com bagagem. Quais os cuidados que devem ser tomados com os pneus?
Quadrelli - Neste caso, o motorista deve atentar-se à capacidade de carga recomendada pelo fabricante, especificada no manual do veículo e calibrar o pneu de acordo com a carga. Isso vai evitar uma maior probabilidade de falhas ou estouros, além de não prejudicar a dirigibilidade do veículo.
Folha - Já que nem muita nem pouca pressão faz bem ao pneu, como proceder quando a calibragem é realizada em um posto de estrada, onde o estado e a qualidade do equipamento provocam dúvidas quanto à sua precisão?
Quadrelli - A melhor decisão é procurar um equipamento em melhores condições. Caso isto não seja possível, procure calibrar com uma libra a mais do indicado-é mais seguro evitar o aquecimento do pneu devido à pressão baixa. Mas, assim que possível, encontre um equipamento melhor e realize a calibragem adequada. Outra boa alternativa é ter consigo um daqueles calibradores tipo caneta, cuja aferição já tenha sido comparada com a daquele posto onde você rotineiramente faz a calibragem dos pneus do seu carro. Em situações de emergência em que o equipamento não tem qualidade, eles se tornarão uma referência importante para a calibragem exata.
Folha - No caso de furo de pneu, quais os cuidados que devem ser tomados no seu reparo? O ''macarrão'' é uma forma segura de reparo?
Quadrelli - O conserto dos pneus deve ser feito definitivamente. Consertos temporários como o denominado ''macarrão'' são apenas provisórios e podem trazer danos aos pneus em curto prazo. Tem sido alarmente o número de consumidores que rodam indefinidamente com um conserto provisório com consequências imprevisíveis para o pneu, bem como para o carro e seus ocupantes.
Folha - Qual é o risco de se calibrar um pneu após ter rodado alguns quilômetros? O que deve ser feito nesses casos?
Quadrelli - Nesse caso, o pneu já estará com a sua temperatura interna maior e o aumento de temperatura provoca um aumento da pressão interna. Assim, ao se verificar a pressão nessas condições, poderemos encontrar uma pressão maior do que a recomendada pelo fabricante do veículo e acabar retirando ar para baixar a mesma. Com isso, o pneu acabará trabalhando com uma pressão abaixo da recomendada pois as especificações de pressão de inflação sempre consideram a pressão a frio e a mesma naturalmente irá aumentar com a temperatura. Se você tiver de inflar o pneu a quente, adicione 4psi à pressão recomendada pelo fabricante, mas verifique novamente a pressão quando o pneu estiver frio.


