Pneu é item importante na revisão de férias
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de novembro de 2008
Da Editoria 
Com a proximidade das festas de final de ano e de verão, muitas famílias começam a planejar suas viagens. Muitas delas, inclusive, lembram de realizar uma revisão no veículo checando óleo, freio, injeção eletrônica, filtro, etc. Mas, raramente alguém se lembra dos pneus.
Para ajudar o motorista, o gerente-geral de Engenharia de Vendas da Bridgestone, José Carlos Quadrelli, fala sobre os principais cuidados que o motorista deve ter com seus pneus.
Como o motorista percebe que o pneu está ''careca'', ou seja, a profundidade do seu sulco não é mais segura?
O limite de segurança é de 1,6 mm de profundidade dos sulcos. Ou seja, em muitos casos, o pneu pode estar ''careca'', embora os sulcos ainda sejam visíveis. A profundidade mínima dos sulcos foi definida por órgãos reguladores internacionais e estabelece um padrão mínimo para que o pneu possa escoar a água quando roda em piso molhado. Caso o motorista não possua um medidor de profundidade de sulco, ele pode observar esta especificação por meio de pequenos ressaltos presentes na base dos sulcos, os TWI. Eu recomendo enfaticamente que todo usuário identifique os TWI e passe a controlar o desgaste do pneu. Um pequeno cuidado como este poderá significar a diferença entre sofrer ou não um acidente.
Além de colocar a segurança do motorista em risco, trafegar com o pneu abaixo do limite de segurança pode causar outros riscos?
Sim. A resolução do Contran 558/80 estabelece que trafegar com pneus abaixo do limite é ilegal. Com isso, o veículo pode ser aprendido.
Sabemos que a pressão do pneu é um fator importante para garantir sua vida útil. O que pode acontecer, caso o motorista trafegue com o pneu com baixa pressão?
A baixa pressão é um dos principais inimigos do pneu. À medida que ela diminui, aumenta a temperatura interna do pneu, que pode chegar a valores críticos que provoquem a deterioração da estrutura do pneu e sua eventual falha. Além disso, ela causa diversos problemas como um rápido desgaste do pneu, já que os seus ombros passam a receber uma carga maior. Ocorre ainda um maior consumo de combustível, perda de estabilidade nas curvas, direção pesada e perda da capacidade de manejo.
E o excesso de pressão nos pneus, pode causar algum problema?
As consequências do excesso de pressão são bem menores do que a falta de pressão, porém, podem causar desgaste mais acentuado no centro da rodagem, perda de estabilidade em curvas, rachaduras na base dos sulcos, maior propensão a estouros por impacto e maior facilidade de penetração de objetos.
E o rodízio de pneus? Ele é realmente importante?
O rodízio de pneus tem por função equalizar o desgaste dos pneus e garantir uma vida longa e uniforme a eles. Ele deve ser realizado segundo a recomendação que consta no manual do veículo ou na falta desta a cada 8.000 quilômetros para pneus radiais e 5.000 para pneus diagonais.
Caso o motorista não possa comprar quatro pneus novos, qual a recomendação a ser feita neste caso?
Neste caso, a recomendação é que seja efetuada a troca de dois pneus e os mais novos devem ser instalados sempre no eixo traseiro, e não na frente como muitos pensam. Isto porque o risco de um acidente pela perda de aderência dos pneus traseiros é sempre maior, visto que o veículo tende a perder a estabilidade, condição de mais difícil controle do que quando o pneu perde a aderência na dianteira, o que pode causar a perda momentânea de dirigibilidade.
O alinhamento e o balanceamento fazem parte da revisão de férias?
Com toda a certeza. Além de evitarem um desgaste irregular dos pneus, eles garantem a estabilidade e melhor dirigibilidade do veículo. Juntamente com a calibragem, esses itens são fundamentais para a utilização segura e econômica dos pneus.
Outro fato comum quando as famílias vão viajar, é carregar o veículo com bagagem. Quais os cuidados que devem ser tomados com os pneus?
Neste caso, o motorista deve atentar-se à capacidade de carga recomendada pelo fabricante, especificada no manual do veículo e calibrar o pneu de acordo com a carga. Isso vai evitar uma maior probabilidade de falhas ou estouros, além de não prejudicar a dirigibilidade do veículo.
Já que nem muita nem pouca pressão faz bem ao pneu, como proceder quando a calibragem é realizada em um posto de estrada, onde o estado e a qualidade do equipamento provocam dúvidas quanto à sua precisão?
A melhor decisão é procurar um equipamento em melhores condições. Caso isto não seja possível, procure calibrar com uma libra a mais do indicado - é mais seguro evitar o aquecimento do pneu devido à pressão baixa. Mas, assim que possível, encontre um equipamento melhor e realize a calibragem adequada. Outra boa alternativa é ter consigo um daqueles calibradores tipo caneta, cuja aferição já tenha sido comparada com a daquele posto onde você rotineiramente faz a calibragem dos pneus do seu carro. Em situações de emergência em que o equipamento não tem qualidade, eles se tornarão uma referência importante para a calibragem exata.
Qual é o segredo para se chegar ao final de uma viagem com os pneus preservados?
Além das recomendações já citadas, é fundamental que todo o conjunto pneu-veículo-motorista atue em harmonia e de forma adequada em relação ao piso onde se está rodando. De nada adianta colocar pneus novinhos, se a suspensão e outras partes do veículo não estejam em bom estado. Uma suspensão mal calibrada e com peças desgastadas é o primeiro passo para o desgaste prematuro dos pneus. Da mesma forma, de nada adianta viajar com um veículo zero, com pneus novos, se o motorista não toma os cuidados básicos da direção segura, evitando o choque dos pneus em lombadas, guias ou buracos, ou se acelera e freia bruscamente. Dirigir com cuidado e responsabilidade é um dos procedimentos para se utilizar o pneu de forma inteligente.


