Pneu é item básico de segurança
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sábado, 23 de julho de 2005
Jaime Kaster<br>Reportagem Local 
Pneu é um item básico de segurança do carro, mas quando chega na hora da troca de um par ou do conjunto completo, o orçamento assusta o consumidor. Como há compradores de todos os poderes aquisitivos e uma parte não tem condição de arcar com o preço salgado de um pneu novo, muitos têm optado pelos remoldados - também chamados de remolds (fabricados com carcaças de pneu importado) - ou pelos recauchutados - conhecidos como recapados (que utilizam carcaças nacionais). A justificativa é o preço, 40% a 60% mais baixo que o dos pneus novos. O preço é convidativo, mas será que o produto é garantido e oferecerá a segurança que o motorista procura?
Quanto ao preço, por exemplo, o gerente da Campneus, revenda autorizada da Pirelli em Londrina, Luiz Marconi Portela, defende que o pneu ''é um dos objetos mais baratos do mundo se considerada a sua utilização''. ''Um pneu se usa quase dois anos e ele roda todo dia; uma pessoa gasta menos com pneu do que com tênis, por exemplo'', argumenta Portela. Ele prega que com pneu não se deve fazer economia, ''pois é a vida da pessoa ou de sua família que está em risco''.
Crítico dos remolds, o gerente da Campneus diz que o pneu novo tem uma estrutura para suportar somente determinada quilometragem. ''Já os remoldados estão sujeitos a um descolamento prematuro da banda de rodagem, porque sofrem aquecimento quando estão rodando. Segundo ele, além de estarem com a carcaça ''já fatigada'', esses pneus recebem uma pressão grande da máquina autoclave que cola a camada de borracha. ''É uma cirurgia plástica que se faz no pneu. Só se modifica por fora. E hoje entra um milhão destes penus por ano no Brasil. É um risco grande que se corre.''
A coordenadora de marketing da Renato Pneus, revenda Goodyear em Londrina, Gisele Meire, afirma que o maior problema dos pneus remolds ou recapados é o desconhecimento da origem e do tempo de vida das carcaças. ''Um pneu novo tem cinco anos de garantia contra defeitos. Depois desse período começa a sofrer um ressecamento da borracha. Como as carcaças que entram no Brasil podem estar velhas, é comum acontecer um processo de deslocamento do pneu, seja ele remold ou ressolado'', diz Meire.
Um empresário do ramo, Sérgio Barbosa, proprietário da SB Pneus, que revende remolds e recauchutados, explica que o deslocamento é percebido logo nos primeiros 1.000 quilômetros após a compra (o pneu perde o equilíbrio e não atende ao balanceamento), mas neste caso o cliente pode devolvê-lo. Barbosa também comercializa pneus novos em sua revenda multimarcas, e, apesar de reconhecer a vantagem do preço baixo dos refabricados, recomenda que se use pneus novos: ''Se a pessoa puder, compre um novo, porque ele tem uma carcaça que nunca rodou. O recapado e o remold têm um composto de borracha diferente e por isso são mais sensíveis às imperfeições do solo e podem deteriorar mais rápido'', compara.
Em termos de segurança, porém, Sérgio Barbosa não vê problemas em usar estes pneus. ''Não vejo nenhum problema, por exemplo, em colocar um pneu recapado nas rodas da frente, como muitos têm medo. A não ser que seja uma pessoa que viaja muito. Neste caso é indicado usar só pneu novo, porque os outros sofrem aquecimento na estrada devido ao calor'', observa.


